A educação inclusiva pode ser entendida como uma concepção de ensino contemporânea que busca garantir o direito de todos à educação. Ela pressupõe a igualdade de oportunidades e a valorização das diferenças, a fim de reconhecer as diversidades étnicas, sociais, culturais, intelectuais, físicas, sensoriais e de gênero de todas as pessoas. Implica a transformação da cultura, das práticas e das políticas vigentes na escola e nos sistemas de ensino, de modo a garantir o acesso, a participação e a aprendizagem de todos, sem exceção.

Conheça os princípios da educação inclusiva

Para demonstrar se uma prática pedagógica é, de fato, inclusiva, ou se uma escola que se diz inclusiva realmente garante o direito de todos à educação, esses cinco princípios são fundamentais:

  • Toda pessoa tem o direito de acesso à educação
  • Toda pessoa aprende
  • O processo de aprendizagem de cada pessoa é singular
  • O convívio no ambiente escolar comum beneficia a todos
  • A educação inclusiva diz respeito a todos

Apesar do foco nas pessoas com deficiência, tendo em vista o histórico de privação da participação desse público nas redes de ensino, o conceito de educação inclusiva abrange toda a diversidade humana, desde a estruturação do espaço físico, conforme explicamos no artigo Acessibilidade na escola é garantia de acesso à educação para todos, até a promoção de conceitos e aprendizagem que estimulem os educandos a compreenderem e respeitarem as diferenças.

Como surgiu o conceito de educação inclusiva?

O princípio de educação inclusiva foi adotado pelos países membros da ONU, em 1994 – a partir da Declaração de Salamanca sobre Princípios, Política e Práticas na Área das Necessidades Especiais. Esse documento tinha o objetivo de estabelecer diretrizes para a formulação de políticas públicas voltadas para a inclusão e acesso de pessoas com necessidades especiais nos sistemas educacionais ao redor do mundo, incentivando a orientação inclusiva em escolas regulares como estratégia eficiente contra atitudes discriminatórias.

Apesar dos esforços internacionais desencadeados a partir desta ação, como fóruns e conferências internacionais abordando a pertinência do tema na educação, a inclusão ainda é um desafio presente em escolas no mundo inteiro, pois existem divergências na forma como a inclusão é percebida, impedindo assim que práticas e políticas inclusivas avancem.

No Brasil, o Plano Nacional de Educação (2011-2020) considera como público-alvo da educação inclusiva educandos com deficiência intelectual, física, auditiva, visual e múltipla, alunos com transtorno global do desenvolvimento (TGD) e altas habilidades; estabelecendo assim a educação especial como modalidade de ensino que perpassa todos os segmentos da escolarização, realiza o Atendimento Educacional Especializado (AEE), disponibiliza serviços e recursos próprios e orienta alunos e professora quanto a sua utilização no ensino regular.

Considerada nessa perspectiva, ou seja, como modalidade de ensino regular que oferece recursos especializados e de caráter diferenciado para o desenvolvimento da aprendizagem, a educação inclusiva incorpora as demandas da sociedade contemporânea, pois não apenas apoia e acolhe a diversidade entre todos os estudantes como também permite a construção de um projeto pedagógico direcionado a todos, mas que atende as necessidades de cada um, não como problemas a serem consertados, mas como oportunidades para enriquecimento do aprendizado construído coletivamente.

Educação inclusiva na prática

Atualmente, alunos com necessidades especiais são uma realidade nas escolas, mas – além deles – a educação inclusiva também faz referência a outros grupos de estudantes que compõem outras “minorias” da sociedade, como pretos, pobres e homossexuais. Ao recebê-los, os professores sentem-se muitas vezes perdidos, sem um rumo que os norteie. Como podemos realizar realmente a inclusão, de modo que esses educandos sintam-se verdadeiramente parte da turma em que estão inseridos? Eis aqui alguns passos para que sua aula seja efetivamente inclusiva:

1. Saiba quem são seus alunos

Procure conhecer previamente o histórico de seus alunos. Isso pode acontecer a partir do diálogo com os responsáveis, cuidadores e professores anteriores. Questione sobre quais são os interesses, dificuldades, facilidades e progressos do educando. Por meio dessas informações, será possível elaborar um plano individual de objetivos, que permitirá acompanhar a evolução de seu aluno, dentro das especificidades que ele apresenta.

2. Pense sobre a intencionalidade

Reflita sobre a razão de dar determinada matéria. Esse conteúdo é relevante para meu aluno? Se não, como tornar esse assunto útil para ele, de alguma forma? Ou mesmo em relação à grade básica de ensino, procure encontrar formas e abordagens que não apenas propiciem a construção de conhecimento mais inclusiva, levando em consideração as individualidades de cada educando, como também mais produtiva. Vai ensinar matemática? Que tal fazer isso brincando? E nas aulas de ciência, já pensou em inserir experimentos que tornem o processo mais dinâmico e divertido? Sair da casinha muitas vezes pode ser uma grande estratégia para a eficácia do ensino.

3. Trate seu aluno sem preconceitos

Não devemos sentir dó ou, no outro extremo, rejeitar o aluno especial. Devemos, é claro, considerar as especificidades de cada educando, mas todos os alunos devem ter sua individualidade considerada e respeitada, assim como devem ser tratados com igualdade. Desnecessário dizer que rejeitá-lo significa excluí-lo. Por outro lado, super protegê-lo também não é uma atitude sensata: nosso dever enquanto educadores é prepará-lo para a vida em sociedade. Estimule a compreensão da necessidade de respeito entre os educandos, demonstre que atender às necessidades de alguém, não é privilegiá-la em relação aos demais, mas sim uma forma de promover a igualdade entre todos.   

4. Estabeleça critérios de inclusão

Alunos que compõem os grupos considerados as “minorias” da sociedade sentem-se seguros quando o professor estipula regras de comportamento e convivência. Assim sendo, deixe claro que em sua sala nenhuma pessoa pode ser humilhada, sofrer bullying, etc. Para alguns estudantes, como as pessoas com autismo, por exemplo, o ideal é que se tenha uma rotina estipulada. Mas, novamente, nesse caso é importante lembrar que a defesa pela igualdade de tratamento entre todos os educandos é essencial para que nenhum se sinta excluído no processo. Ou seja, o bullying, em nenhuma de suas manifestações, será tolerado. Mesmo que você olhe com mais atenção para determinados casos, no exercício do respeito é imprescindível que sejam conferidos os mesmos direitos e deveres para todos os alunos.

5. Use múltiplos recursos

Alunos especiais aprendem melhor quando são expostos a materiais que explorem seus sentidos. Quanto mais os sentidos forem utilizados, melhor. Sempre que possível, opte pelo uso de objetos concretos ao invés de conceitos abstratos. Use múltiplos recursos, como os visuais, orais, táteis e auditivos. Varie as atividades trabalhadas junto aos alunos. Você pode usar de recursos impressos, discussões, leitura, desenhos, vídeos curtos e até mesmo a internet, por exemplo. A diversidade tornará sua aula sempre interessante. Quando escrever algo, fale também, e gesticule, se necessário, para que haja uma maior compreensão.

Dicas de atividades diferentes para a sala de aula são filmes, livros e cantigas que estimulem a aprendizagem de uma forma mais dinâmica e prática.

6.  Use o recurso da repetição

Ao delegar determinada tarefa, peça para que dois ou três alunos expliquem novamente o que deve ser feito, dessa forma os alunos serão expostos a uma maior variedade de explicações e interpretações. Essa atividade é simples e, além de proporcionar a reflexão dos educandos que irão explanar suas ideias, contribuirá para que os outros ouçam o objetivo dos exercícios a partir de uma lógica mais acessível ao seu entendimento.

7. Ensine os alunos a se respeitarem

As crianças não sentem diferença entre as especiais, de realidades diferentes, ou não. Na verdade, qualquer diferenciação acontece por interferência dos adultos. Ao olhar para seu aluno com deficiência, negro, pobre ou homossexual, enxergue nele a criança ou adolescente que ele é, e não o rotule por sua condição. Se você agir assim, certamente os demais alunos procederão da mesma forma.

8. Crie um ambiente de cooperação

Sempre que possível, proponha atividades em grupos, a fim de auxiliar a classe no processo de interação. Pense previamente, com base no histórico de seu aluno especial, em como ele poderá auxiliar na tarefa do grupo, de acordo com as habilidades dele. Varie os grupos de tempos em tempos (mensalmente, por exemplo) para promover um convívio maior.

Seja protagonista de uma educação mais inclusiva

Como educadores, nossa função também é preparar os jovens para a vida e transmitir a eles ensinamentos e valores que contribuam para a formação cidadã de cada um, a fim de torná-los adultos mais humanos e respeitosos. Quando falamos em acessibilidade, é muito comum que a primeira coisa que venha às nossas cabeças é a adequação física dos espaços, mas além disso, a preparação de métodos e abordagens que contemplem as especificidades de cada estudante é tão importante quanto.

Se você ainda tem dúvidas a respeito dessa temática, envie uma mensagem para a gente e vamos juntos trilhar o caminho de uma educação transformadora, mais acessível e inclusiva para todas e todos.

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