Um último estudo feito pela Brava, organização da sociedade civil que desenvolve iniciativas de impacto para contribuir com o desenvolvimento do Brasil, em parceria com Instituto Rio Branco, a Insper e o Instituto Ayrton Senna, observou o cenário de abandono escolar no brasil e sugeriu algumas políticas públicas para redução do abandono e evasão escolar de jovens. No artigo de hoje, vamos discutir alguns dos dados encontrados durante o estudo e quais as principais atitudes que podem ser adotadas por governo e escolas a fim de coibir a evasão escolar.

Cenário da educação no Brasil

Nos últimos dados obtidos, em 2015 havia cerca de 10 milhões de jovens com idade entre 15 e 17 anos que deveriam estar frequentando a escola. No entendo, 1,5 milhões desses jovens sequer se matriculou para o ano letivo. Dos matriculados, 0,7 milhões abandonaram a escola antes mesmo do final do ano letivo.

As razões para o abandono escolar são muitas. Entre as principais podemos citar jovens oriundos de famílias em situação de vulnerabilidade social, que muitas vezes precisam largar os estudos para prover sustento para a família. A desigualdade racial também desempenha um papel importante do abandono escolar. A pesquisa mostrou que, por exemplo, enquanto 59% dos jovens brasileiros concluem a educação média com no máximo um ano de atraso, entre os jovens negros vivendo em situação de extrema pobreza em áreas rurais da Região Nordeste, apenas 8% concluem a educação média com no máximo um ano de atraso.

Outra razão para o abandono escolar é a falta de engajamento dos alunos com a educação. Novamente, são várias as razões para a falta de engajamento. Uma das principais razões indicadas no relatório é o número crescente de jovens que não veem a educação como sendo importante para o futuro. Enquanto no início do milênio, a remuneração de alguém com educação média era 43% maior que a de alguém com apenas educação fundamental, hoje esse mesmo diferencial é de apenas 26%. Essa redução nos diferenciais de remuneração reduziu os incentivos para os jovens investirem em educação. Além disso, muitos jovens queixam-se da baixa qualidade de ensino e da grade curricular engessada, que não permite que eles explorem os seus interesses.

De acordo com a pesquisa, a educação precisa ser significativa e oferecer oportunidades para que os jovens desenvolvam competências que valorizam. Um exemplo disso seria o acesso à educação técnica concomitante à educação média, com aulas profissionalizantes no contraturno. Uma outra ideia seria também oferecer aulas diversas no contraturno como, por exemplo, computação, teatro, esportes, e etc.

Além de uma educação mais profissionalizante e um currículo mais “aberto”, veja abaixo outras ações que o relatório sugere para evitar a evasão escolar:

1. Investimento no professor

A falta de interesse do próprio professor pode ser um fator decisivo para a desistência escolar por parte do aluno. Assim, a melhoria dos serviços educacionais requer ações voltadas para o desenvolvimento das competências dos professores, bem como ações para a melhoria na remuneração, plano de carreira e incentivos por desempenho.

É importante que o educador compreenda que o papel dele dentro da escola também está mudando. Antigamente, um bom professor era aquele capaz de passar a maior quantidade de informação em um determinado tempo. Atualmente, dada a facilidade de acesso digital a uma quantidade ilimitada de informações, os alunos não buscam na escola apenas informação. Ao contrário, procuram escolas que os ensinem a sistematizar, interpretar e organizar as informações que eles já têm acesso. Neste novo contexto, um bom professor é aquele capaz de melhor conduzir e ensinar os alunos a organizarem seus pensamentos e conhecimentos, promovendo mais debates e dinâmicas em grupo.

Nós já mencionamos em alguns artigos a importância de trabalhos em grupos e desenvolvimento de projetos como ferramentas para manter os alunos interessados na aula, confira essas matérias em: 9 didáticas inovadoras,14 maneiras simples de motivar os alunos em sala de aula e Por que escolas finlandesas são tão elogiadas?. Nestes artigos, também conversamos sobre a tendência de cada vez mais o professor assumir um papel de “mediador” em sala de aula, estimulando os alunos a encontrarem problemas e desenvolverem soluções por si só.

2. Flexibilização do ensino

O artigo também sugere que parte do ensino médio seja cursado a distância, dessa forma áreas rurais ou isoladas teriam o acesso ao ensino garantido. Essa opção também seria interessante para jovens que precisam trabalhar para sustentar a família.

Neste último caso, a escola poderia aumentar a tolerância de falta dos alunos desde que os alunos demonstrem que de alguma forma compensaram as aulas e adquiriram as competências exigidas no currículo.

3. Observar os sinais de abandono

Os alunos não abandonam os estudos de forma repentina. É possível perceber diversos sinais de que o aluno está ficando desinteressado na escola: a atenção em sala diminui, os deveres de casa param de ser feitos, as faltas ficam frequentes, e etc.

Segundo o relatório, a escola deve estar sempre atenta a esses sinais. E assim que percebê-los, tentar descobrir o que está acontecendo com o aluno. Se necessário fazer sessões de mediação entre aluno e colegas, aluno e professores ou aluno e família, se o motivo da queda de engajamento for devido a conflitos de relacionamento.

Caso o desengajamento esteja acontecendo por conta de déficit de aprendizado, a escola deve planejar programas de tutoria ou reforço em horário complementar para eliminar esse problema. Estratégias de apoio emocional, aconselhamento e mediação são ações imprescindíveis para garantir o engajamento em sala de aula.

Para ler o relatório na íntegra, clique aqui. Você concorda com essas medidas? Quais outras você sugeriria?