Com certeza você já se deparou com a expressão “ideologia de gênero” em algum momento. É um termo que está ganhando espaços de discussão e dividindo as opiniões entre as pessoas. E – como educadores – é importante que estejamos alinhados com esse debate para saber até que ponto ele influencia as práticas em sala de aula. Por isso, a primeira questão é:

Você sabe o que é ideologia de gênero?

Essa expressão faz referência a um conjunto de ideias e discursos que tratam da educação sexual nas escolas e incentivo à compreensão das diversas formas de configurações familiares. Ou seja, não se trata de um conceito teórico, mas sim de um sintagma – uma ideia que é fortemente difundida a ponto de agir como o slogan de uma causa, sem ter base fundamentada em preceitos teóricos.

De acordo com o pesquisador Rogério Diniz Junqueira, da Universidade de Brasília, quando se trata do conceito de ideologia de gênero, “há teorias (no plural), que contemplam diferentes disciplinas, várias matrizes teóricas e políticas, nas quais figura gênero como um conceito (e não uma teoria ou uma ideologia) com múltiplas acepções e implicações críticas”.

Essas questões buscam compreender de onde partem as ideias do que é masculino e feminino que compõem nossa sociedade, para levantar reflexões a respeito dos papéis que, a partir delas, são atribuídos aos homens e mulheres. Os estudos de gênero, de um modo geral, buscam pesquisar e compreender quais são as raízes dessas predefinições e, a partir disso, quais são as consequência para a sociedade.

Quando nos deparamos com esse discurso ligado às práticas de ensino e currículos escolares, os principais argumentos referentes à ideia de ideologia de gênero são:

Os contrários

  1. Homens e mulheres são diferentes e, portanto, devem receber tratamentos diferentes
  2. Não há variação de gênero além dos sexos biológicos: homem e mulher
  3. Só é família aquela composta por homem + mulher + filhos
  4. É uma estratégia para a doutrinação homossexual
  5. Consiste em um movimento radical

Os favoráveis

  1. Homens e mulheres possuem características físicas diferentes, mas perante à lei e sociedade devem ser tratados como iguais e com os mesmos direitos
  2. Não existe gênero binário (homem e mulher). Em outras palavras, o gênero de uma pessoa diz respeito à sua identificação pessoal e não é limitado pelo sexo biológico
  3. A constituição de família é aquela em que um grupo de pessoas, seja como for, permanece unido e amparando uns aos outros
  4. Sensibiliza sobre a diversidade e necessidade de respeitar o próximo independentemente de sua orientação sexual
  5. É uma forma de educar todas as pessoas por uma realidade mais inclusiva para todos

Como tratar desse tema na escola?

A função dos educadores é trabalhar conteúdos letivos e estimular os estudantes às boas práticas para a convivência em sociedade. As escolas devem reforçar valores, mas sempre partindo do pressuposto que cada educando trará consigo uma bagagem familiar e ensinamentos que recebem em suas casas. No que se refere à ideologia de gênero, a questão torna-se muito delicada, uma vez que existem vários posicionamentos individuais acerca do tema.

A dúvida que fica nesse caso é: abordar? Não abordar? Como abordar? Calma… Nós vamos propor uma forma de refletir esses casos para que você não se precipite durante as aulas e nem entre em questões sensíveis com os seus educandos.

Vamos lá: na hora de preparar uma aula, seja ela qual for, sempre tenha em mente que o conhecimento deve ser construído de modo a estimular o debate e permitir que todos se expressem na busca pelo bom resultado geral. Não é dever de um professor ser um reprodutor de conteúdo, mas de guiar a aprendizagem por um caminho que estimule o desenvolvimento coletivo.

Neste sentido, na hora de pensar suas aulas, sempre tenha em mente o seguinte questionamento: o discurso que vou reproduzir fere de alguma forma a individualidade ou liberdade de pensamento de algum aluno? Se a resposta for sim, repense. Se for não, parabéns, você está no caminho certo. Mas, se for “talvez”, cabe ao educador o esforço de refletir sobre os possíveis caminhos para essa abordagem, a fim de promover uma compreensão democrática acerca do tema, apresentando possibilidades de conclusões, sem induzir os educandos para nenhuma delas.

Parece difícil, né? Mas, na verdade, não é. Considere os argumentos contrários e favoráveis sobre o tema e encontre um equilíbrio entre eles. Isso pode ser a partir da apresentação das possibilidades de caminhos a serem tomados até a compreensão de uma ideia, ou mesmo explicando que as posturas de cada indivíduo depende da criação, valores e predisposições que cada um tem a respeito de um tema.  

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  1. Adorei a proposta com os temas argumentativos, embasado na reflexão da prática pedagógica da sala de aula. Na verdade, é o que nós, professores, precisamos… Parabéns!

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