Sentado na cadeira, pés apoiados no chão, coluna reta, mãos juntas em cima do colo, e atenção na respiração. Que a meditação é uma ótima ferramenta para aliviar o estresse e a tensão do dia a dia, todos sabemos. O que muitos não sabem é que a meditação também pode ser uma grande aliada na hora de melhorar o desempenho escolar dos alunos. Isso se dá porque a meditação, cientificamente falando, desenvolve a capacidade do cérebro e, com isso, melhora o foco e a concentração, além de fortalecer o sistema imunológico, protegendo o organismo contra doenças.

Cientistas mapearam as diferenças entre as imagens dos cérebros de pessoas enquanto estão meditando e enquanto estão em estado normal para conseguir entender o que acontece na nossa mente quando conseguimos realmente relaxar. A diferença entre um cérebro em atividade normal e o de alguém que está meditando durante 20 minutos é uma mudança na maneira como processamos informações. Essa mudança é indicada por uma queda nas ondas beta. Durante a meditação, o lobo frontal – que é a parte mais evoluída do cérebro –, demonstra uma redução de atividade devido a essa queda de ondas beta. O lobo frontal é responsável pela razão, planejamento, emoções e noção do próprio ego. O lobo parietal, que processa informação sensorial, espaço e tempo, também diminui a atividade, assim como o tálamo, responsável por fixar a atividade sensorial no cérebro. Toda essa queda de atividade resulta em uma redução da ansiedade, promovendo assim uma melhora de criatividade, memória e concentração.

Dalai Lama já dizia que “se todas as crianças de oito anos aprenderem meditação, nós eliminaremos a violência do mundo dentro de uma geração”.

Essa afirmação parte-se do princípio de que a meditação também faz com que olhemos para nós mesmo, nos força a nos conhecermos e, consequentemente, nos ajuda a compreender melhor a vida. Através da meditação, as crianças podem conhecer melhor a si mesmas, descobrindo suas verdadeiras paixões, vocações, interesses, além de possibilitar a exploração do potencial criativo. Tudo isso confere a elas maior segurança e estabilidade emocional para lidar com as diversas situações da vida.

Mas será que meditação funciona mesmo?

A escola Visitacion Valley, nos Estados Unidos, é um ótimo exemplo de como a implementação da meditação nas escolas surte um efeito positivo do desempenho e rendimento escolar dos alunos.

A escola, situada na cidade de São Francisco, sofria com o alto índice de violência e tráfico que existia no bairro. Porém, em 2007, a escola optou por instituir um programa de meditação. Os professores foram capacitados para ensinar os jovens a meditar 15 minutos duas vezes ao dia. Eles repetem um mantra pessoal e relaxam em suas mesas. De vez em quando, a escola organiza no auditório sessões de relaxamento coletivos.

Se no início houve um pouco de relutância da parte dos alunos para realmente se engajar no programa que custa à escola cerca de R$280 mil reais por ano, isso logo mudou quando os primeiros efeitos começaram a surgir. Em um ano, o número de suspensões caiu em mais de 75% e as notas começaram a subir. Além disso, a autoestima dos estudantes aumentou, assim como a capacidade de lidar com problemas e estresse do cotidiano. Foi reportado uma melhora significativa até mesmo da vida familiar. Uma pesquisa realizada no ano de 2014 revelou que os alunos da Visitacion Valley são os mais felizes da cidade. O sucesso foi tanto que o projeto já foi implantado em mais escolas da região e se espalhou para outros países.  A maioria das escolas que importaram esse projeto, alegaram resultados semelhantes.

Uma pesquisa conduzida na Califórnia, nos Estados Unidos, com 189 alunos, comprovou que:

  • alunos que praticavam o programa de meditação transcendental (125, e 64 no grupo controle) apresentaram aumento significativo no rendimento em matemática e inglês no ano letivo;
  • 41% dos estudantes avaliados tiveram ganho de pelo menos um nível de desempenho em matemática.

No Brasil essa técnica também tem sido bastante explorada. Várias escolas de diversas cidades brasileiras estão começando a introduzir a meditação em sua grade horária.

Um exemplo são as escolas públicas estaduais da Grande Vitória, onde o Ministério Público e a Secretaria de Educação do Estado assinaram Termo de Compromisso em que se comprometem em aplicar o programa MindEduca em toda a sua rede de ensino. O Programa MindEduca, que está sendo implementado nessas escolas, tem por objetivo levar a meditação para o ambiente escolar, a fim de desenvolver junto dos alunos a inteligência emocional, a capacidade de concentração e a melhora nos relacionamentos interpessoais.

Em entrevista para a CBN Vitória, a professora de Ensino Religioso da escola Germano André Lube, Wanda Scarpatti, alegou que a melhora de desempenho dos alunos é bastante visível: “nós notamos que os estudantes têm desenvolvido melhor as habilidades nos estudos e na concentração. Eles melhoraram a leitura, a matemática e outras áreas. Tem sido um ganho para escola”.

Após a implementação do programa MindEduca, a evasão escolar chegou a 0%.

Além das escolas de Vitória, algumas escolas em São Paulo e Florianópolis também adotaram a iniciativa.

Outro exemplo que também podemos citar é o Sesi Alagoas. Em 2013, o Sesi Alagoas implementou o programa Meditação, Neurociência e Educação, conduzido pela doutora em Filosofia da Ciência e especialista em Neuropsicologia, Regina Migliori.

O primeiro passo do projeto foi o treinamento dos professores. Cada professor passou oito semanas aprendendo sobre como aplicar exercícios de meditação para treinar o foco e a atenção dos alunos e como os ensinar a lidar com as emoções durante o processo de ensino e aprendizagem. O projeto relatou uma ótima aceitação por parte dos alunos e um encantamento por parte dos professores, que aprenderam novas técnicas para fugir de aulas repetitivas e engajar os alunos.

Vale lembrar que além da meditação, a utilização de músicas, materiais artísticos e a realização de atividades físicas também são ótimas maneiras de fazer o aluno aliviar o estresse e aumentar seu foco no aprendizado.