O Brasil está longe de ser destaque quando o assunto é matemática. A maior dificuldade que os nossos alunos encontram hoje em sala de aula é justamente o aprendizado de cálculos, e tem sua razão de ser: a qualidade do ensino de matemática no Brasil é considerada uma das piores do mundo. Segundo o relatório da Global Information Technology, nós estamos entre os últimos colocados na apreensão de conceitos matemáticos e científicos: o país está na 133ª posição entre 139 países. No topo da lista? China.

A China é tida como exemplo quando o assunto é o ensino de matemática. O método da cidade de Xangai, conhecido como Método de Ensino Xangai, faz com que os estudantes de ensino fundamental tenham um rendimento melhor em cálculo do que os demais estudantes do mundo. Inclusive, estima-se que os alunos que aprendem com o Método Xangai estejam 3 anos à frente do resto do mundo. Mas será que esse método é tão bom assim?

Antes de falarmos do método em si, precisamos entender como a China revolucionou o sistema educacional deles.

A reforma educacional na China

A China deu início a sua reforma educacional em meados de 1978. Xangai foi a cidade líder da reforma. O objetivo era elevar o aprendizado em sala de aula. O primeiro passo dessa revolução foi reformar o currículo, dividindo-o em matérias obrigatórias, eletivas e matérias extracurriculares.

O segundo passo foi criar um sistema de avaliação das escolas, com esse sistema o governo pode determinar quais escolas carecem de mais recursos alocados e de estratégias de melhorias.

Entre as estratégias de melhorias, podemos citar o transferimento de professores e diretores de escolas urbanas de boa qualidade para escolas rurais, que muitas vezes têm dificuldade de atrair professores, consequentemente tendo uma piora na qualidade de ensino; e, mais recentemente, o estabelecimento de um contrato de gestão que determina que uma escola de boa qualidade deve assumir, por um tempo determinado, a gestão de uma escola considerada fraca, a fim de elevar o desempenho desta.

Além disso, as informações sobre o desempenho das escolas são divulgadas de forma ampla pelo governo, o que gera uma forte cobrança dos pais em cima das escolas.

Outro ponto importante a ser compreendido sobre a educação da China é o tempo de estudo. Os alunos têm aulas das 7h às 17h e durante o tempo livre são estimulados a continuar estudando – o que segundo muitos especialistas é prejudicial para o desenvolvimento de outras habilidades como comunicação e criatividade, considerando que as crianças não têm tempo para brincar umas com as outras. Entretanto, as aulas têm um período de duração mais curto, com 35 minutos de matéria e 15 minutos de descanso – esse formato de aula é essencial para o Método Xangai, onde menos é considerado mais.  

Como funciona o Método de Ensino Xangai?

O sucesso do Método Xangai é pautado em 5 conceitos-chave, são eles:

  1. Conteúdo

Cada aula tem o objetivo de ensinar um único conteúdo. Se o objetivo do dia é aprender a somar, a aula inteira será dedicada somente à soma. Os professores só dão seguimento na ementa quando não há mais dúvida nenhuma sobre o assunto por parte dos alunos. Os alunos mais avançados são constantemente estimulados a ajudar os demais a entenderem a matéria.

Além disso, a quantidade de matéria a ser ensinada não é tão grande quanto a de outros países, como o próprio Brasil, por exemplo. Aqui, nós esperamos que os alunos da 5ª série já saibam frações, enquanto, em Xangai, é cobrado que os alunos da 5ª série saibam apenas multiplicação e divisão.

A ideia é cobrar menos conteúdo e aos poucos ir aumentando o aprendizado, garantindo que a sala avance de forma uniforme.

  1. Garantia de aprendizado

Como forma de confirmar que os alunos realmente aprenderam a matéria é pedido para que eles expliquem, com frases completas, como chegaram no resultado final e qual a teoria aplicada. Dessa forma, o aluno também está se familiarizando com a linguagem matemática e não só com os números.

  1. Unidade

Como explicado acima, a sala só avança em conteúdo quando todos compreendem a matéria. Essa técnica evita que o ensino deixe lacunas e que os professores tenham que ficar voltando à conteúdos já ensinados.

  1. Repetição

A repetição é uma das técnicas mais importantes adotadas no ensino de Xangai. Os alunos devem repetir várias vezes os exercício para conseguir fixar o que foi ensinado. Os professores também exigem que quando um aluno responde à uma pergunta em voz alta, todos os demais repitam essa resposta.

  1. Desenvolvimento dos professores

Na China, um professor leciona somente uma matéria. A carga horária do professor consiste em apenas duas aulas de 35 minutos, o resto do tempo é para focar no próprio desenvolvimento profissional e prestar assistência para algum aluno que precise. Além disso, vale mencionar que os professores de matemática precisam estudar durante cinco anos sobre como lecionar matemática a alunos do ensino fundamental.

Além das técnicas acima, os professores chineses também fazem uso de objetos e imagens para ajudar os estudantes a enxergarem as operações de forma mais prática.

Uma das críticas mais constantes ao Método Xangai é em relação a “unidade” da turma. Especialistas consideram que esperar até que todos tenham entendido o conteúdo para seguir em frente, pode fazer com que os alunos mais avançados sintam-se entediados e fiquem desinteressados no aprendizado. Outro ponto bastante criticado é que, apesar dos resultados obtidos através do Método Xangai serem excelentes, falta ainda um ensino de como a matemática pode ser aplicada em situações reais do dia a dia, de forma que processo de aprendizagem não se torne tão abstrato.

Apesar das críticas e pontos de melhoria, o Método Xangai pode ser uma fonte de inspiração muito útil para consertar o déficit de ensino que enfrentamos hoje no Brasil na área de matemática.

E você, o que achou do Método Xangai de ensino? Deixe a sua opinião nos comentários.