A Educação Cooperativa é uma prática democrática que auxilia na compreensão da complexidade da vida em comunidade e possibilita aprendizagens significativas para o desenvolvimento pessoal e social. Ao privilegiar a participação, tanto promove a experimentação de limites e potencialidades como está atenta às dificuldades individuais e aos problemas coletivos.

Neste sentido surge o Programa Cooperjovem, que tem por objetivo “Disseminar a cultura da cooperação, baseada nos princípios e valores do cooperativismo, por meio de atividades educativas.”

Na formação, os participantes do Programa são motivados para que tenham suas experiências problematizadas e seus saberes valorizados, pois são o ponto de partida para a construção de novos conhecimentos. Ao professor é oportunizado reflexões e práticas, que os habilitem para a construção de Projetos Educacionais Cooperativos (PEC) nos seus espaços de trabalho.

Todo este processo se dá por meio de um espaço dialógico em que pais, alunos, professores, comunidade escolar e a comunidade em geral conversem com autonomia sobre suas dificuldades, caracterizando assim sua situação problema e quais a formas de resolver a presente questão em conjunto. O que cada um pode fazer ou fomentar para que as mudanças aconteçam.

O importante é não limitar o espaço de ação, podendo ser dentro ou fora da escola, não delimitando também o tema a ser desenvolvido. A metodologia prevê que a escolha do tema comece com uma pesquisa na comunidade escolar, na qual todos são convidados a ressaltar o que poderia ser diferente na comunidade onde vivem. A pesquisa não pode também induzir o tema, ele é fruto das necessidades que serão apontadas pelos envolvidos. Após sua realização a mesma é tabulada e seu resultado é apresentado para toda comunidade escolar.

Com esta metodologia inicial incluímos todos os participantes permitindo que possam dar suas idéias e  experimentem  a adesão livre e voluntária pelo projeto. Também neste momento praticamos a gestão democrática, porque a partir do resultado da pesquisa, os participantes se envolvem e  passam a  ser protagonistas na resolução e busca da mudança coletiva. É importante ressaltar que a prioridade eleita seja algo que esteja ao alcance de transformação pelos participantes de forma cooperativa. As ações que nortearão o projeto em sua maioria serão realizadas por todos, de acordo com sua disponibilidade e habilidades para o projeto, levando em conta o respeito às diferenças, a transparência e responsabilidade social, despertando a autonomia e interesse pela comunidade.

A prática do Cooperjovem se dá através do Projeto Educacional Cooperativo (PEC).

Desta forma, após a pesquisa, tabulação e divulgação dos dados, o grupo de professores se reúne e traçam ações que serão realizadas com a união de pais, alunos, professores e demais funcionários da escola, cooperativa, administração pública e população em geral.

Todo este trabalho leva em consideração a grade curricular, sendo possível adequar o desenvolvimento do projeto aos conteúdos, transformando-se em uma ferramenta pedagógica que inspira a inovação para a prática da Educação Cooperativa.

Durante a caminhada com o Programa Cooperjovem, muitas transformações aconteceram, que emocionam e nos faz acreditar num mundo melhor.

Quando feito este processo democrático muitas vezes vamos além dos muros da escola. Permeando temas diversos de valorização humana, meio ambiente, cultura, comportamento social, saúde, aprendizagem efetiva e outros.

São inúmeras as experiências, destaco o projeto ligado ao meio ambiente que resgatou o pai de alunos, devolvendo a ele a dignidade humana, permitindo que ele se tornasse um amigo da escola. Ele foi parceiro do trabalho, os alunos se envolveram na coleta, entregando para a separação e destinação do lixo. Com isso, o pai teve seu trabalho de volta e dinheiro para o sustento de sua família. Este projeto tirou um pai do mundo das drogas e garantiu a ele novamente a guarda de seus filhos. Os filhos, por sua vez, passaram a ser respeitados na escola e incluídos pelos colegas no convívio social. O projeto superou os resultados, quando pode alfabetizar o pai e o mesmo hoje escreve poesias para compartilhar na escola.

Em outro projeto a comunidade se reuniu e decidiu optar pela valorização da vida, desta forma, criaram uma pesquisa e através dos resultados desta, motivou os moradores do seu município a serem doadores de sangue, o que resultou em uma sustentação no estoque do hemocentro de sua região. O projeto mobilizou toda uma comunidade, além disso, movimentaram o poder executivo e legislativo do município. Articularam junto à casa civil e deputados de representação regional o pedido de uma unidade móvel para a doação de sangue. O projeto não parou, a intenção é que todos os municípios vizinhos pertencentes à região do hemocentro recebam esta unidade móvel, incluindo assim, mais pessoas nesta ação.

Em outra experiência percebeu-se que as crianças da escola estavam com dores no corpo, o que dificultava a concentração e, por consequência, a aprendizagem dos mesmos. De início o primeiro problema estava atrelado somente à questão do baixo nível de aprendizagem. Com a participação da população para elencar as dificuldades da comunidade, veio à tona que a fonte de água que abastecia o distrito rural estava descoberta, inclusive servia de bebedouro para animais. Assim a comunidade se mobilizou cooperativamente, realizaram exames e comprovaram que a água era imprópria para o consumo. A saída era justamente a limpeza, recuperação e proteção da fonte. Na sequência, foram trocados todos os encanamentos que levavam a água às residências e escola da comunidade. Este trabalho exigiu muito a cooperação de todos, pois outras fontes nas propriedades precisavam passar pelo mesmo processo, senão um comprometeria a qualidade da água do outro. A ação da comunidade escolar desencadeou um efeito em escala para todos os moradores da comunidade. Após essa ação, foi nítida a mudança no comportamento e na saúde das crianças, o que ocasionou maior rentabilidade na aprendizagem.

Atualmente temos muitos projetos riquíssimos que estão acontecendo, estimulando a solidariedade e a autonomia em que cada cidadão torna-se responsável pela comunidade onde vive. O projeto cria a ponte que liga a escola, família e comunidade, entendendo que a educação é um bem de todos e pode acontecer de forma cooperativa. Os resultados nos motivam  a propagar a Educação Cooperativa, tendo a certeza de que esta filosofia pode transformar o mundo em que vivemos.