Não podemos mais educar as crianças dos dias atuais da mesma maneira que fomos educados ou que foram educados nossos pais e avós. As rápidas mudanças ocorridas no mundo exigem um novo tipo de educação – mais participação do aluno em sala de aula, mais integração entre pais, educadores e escolas. Hoje, os alunos, mesmo os de primeira infância, estão conectados em redes sociais e em aparelhos de comunicação jamais sonhados. Seus questionamentos são inúmeros e eles exigem respostas rápidas – a escola não pode mais ser só quadro negro, giz e ações passivas. Ela deve ir além dos muros escolares.

Ao acompanhar os colaboradores do Sicredi numa expedição pelo interior do Paraná, neste ano em que o Programa A União Faz a Vida completa 10 anos, vimos que o programa tem colaborado, e muito, na atualização dos processos educacionais nas escolas, participando de forma ativa em centenas de escolas apresentando aos educadores, em parceria com as prefeituras e suas secretarias de educação algo revolucionário e inovador, “o programa da abelhinha” como dizem carinhosamente as crianças.

Os educadores não deixam de seguir o planejamento dos conteúdos a serem aplicados em sala de aula, pelo contrário, os temas são desenvolvidos de maneira que a ação de um ensinamento reforça os outros. Os alunos saem das suas salas, envolvem seus pais, a comunidade e a todos que puderem ajudar a encontrar as respostas para as suas perguntas.

Curiosidade, criatividade, desinibição, alegria em aprender e noções de cooperação, cidadania e solidariedade são incorporados de maneira natural pelas crianças. Muitos pais dizem: “eu não sabia que meu filho(a) tinha tanto potencial”. Muitos educadores, mais motivados, dizem: “graças ao programa eu também aprendo com os meus alunos, ganho a colaboração dos pais e trabalho com mais eficiência”.

Ao conversar com os alunos, pode-se ver claramente quando apresentam seus trabalhos, um brilho alegre em seus olhos.

Texto de Eloi Zanetti.

Essa sistematização das informações foi adotada para facilitar o entendimento do leitor e não descreve a abrangência da metodologia proposta.

Palavra do Presidente: educação inovadora

“Arrisco a dizer que a escola inovadora é aquela dotada de no mínimo cinco sentidos, cinco capacidades de interagir com o mundo exterior, com as pessoas, objetos, luzes, fenômenos. É aquela que encontra o método adequado, se atualiza e se renova.”

Num mundo que cada vez mais exige competências em todos os campos, falar de educação inovadora é também voltar o olhar para questões mais complexas do ser humano. Recorro, então, às lições de Mahatma Gandhi, em que ele aponta os sete erros da humanidade para acreditar na necessidade de inovar na educação. Sete erros, segundo ele, responsáveis também pelas injustiças sociais. São eles: “riqueza sem trabalho, prazer sem responsabilidade, conhecimento sem valores, negócios sem ética, ciência sem humanidade, espiritualidade sem altruísmo e política sem princípios”.

Dentro de uma visão humanista, porém, acredito que a melhor das intenções é a atitude, também conhecida como iniciativa. Ou seja, para enriquecer as lições de Gandhi, são necessárias inúmeras atitudes, principalmente, por aqueles que detêm o poder das escolhas. As escolhas pelo trabalho que ombrearam, pela responsabilidade nas posições e cadeiras na sociedade, pelos valores justos que precisam ser debatidos e entendidos desde a infância, em especial, nos lares e escolas.

Ainda, pela ética que precisa permear nas ações comercias e de ativação da economia, pela humanidade que precisa seguir sem riscos de extinção, pois nossas vidas são passagens, pelo altruísmo presente nas nossas vidas, tendo a compreensão que não levaremos nada, e pelos princípios que precisam existir, em especial, na política.

Por isso, arrisco a dizer que a escola inovadora é aquela dotada de no mínimo cinco sentidos, cinco capacidades de interagir com o mundo exterior, com as pessoas, objetos, luzes e fenômenos. É aquela que encontra o método adequado, se atualiza e se renova. A educação é consequência da escola ou ao contrário. Na verdade, para os leigos, isso não importa. O que importam são as consequências.

Precisamos, então, confiar nos estudiosos, incentivar e apoiar as boas iniciativas. Precisamos ser críticos do Estado, sem sermos omissos enquanto empresa ou organização comercial. A nós, cabe muito, pois é nas organizações e empresas que as pessoas mais vivem e convivem o seu tempo e é nelas que acontece a deterioração das lições que Gandhi aponta e também é lá que se fortalecem as pessoas de bem.

Temos muito a contribuir, a ajudar. Temos também de ter a vontade de fazer a conexão escola-empresa. Como leigos na área, somos voluntários, somos acreditadores, somos crentes que podemos sim, com a nossa liderança e com nosso exemplo, melhorar o mundo. Ajudar na causa da educação, também sob a ótica de um visionário, é acreditar que através do coletivo seremos capazes de apoiar as ideias inovadoras, contando, é claro, com a iniciativa de cada um de nós!

Manfred Alfonso Dasenbrock,
Presidente da Central Sicredi PR/SP/RJ

Confira um relato real do programa A União Faz a Vida.