DO SONHO AO VOO: O MELIPONÁRIO DOCE JARDIM GANHA VIDA

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DO SONHO AO VOO: O MELIPONÁRIO DOCE JARDIM GANHA VIDA
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Alguns sonhos começam de forma simples, quase silenciosa, e aos poucos vão ganhando sentido e direção. Foi assim que nasceu o projeto “Meliponário Doce Jardim”, idealizado por Rose Andrade, cuja trajetória é marcada por um profundo encantamento pela natureza, pelo compromisso com a educação e pela sensibilidade em transformar experiências simples em grandes aprendizados.

Rose, detalha que o seu amor pela Educação é antigo: “O desejo de ser educadora nasceu ainda na infância. Venho de uma família marcada pela presença de professoras e professores que, com seu exemplo, inspiraram a minha escolha de vida. Aos 15 anos, já atuava como voluntária em programas de alfabetização de adultos, em sua maioria idosos que não tiveram a oportunidade de aprender a ler e escrever no tempo certo, mas que mantinham vivo esse sonho e isso me encantava. Mas foi no antigo magistério que tive a certeza de que minha essência estava em estar com pessoas, ajudando-as a descobrir o quanto o mundo do aprender pode ser transformador e prazeroso. Segui minha formação em Pedagogia pela UFPR e me especializei em Gestão Ambiental, ampliando meu olhar sobre educação, sociedade e meio ambiente. Como concursada no município de Jundiaí do Sul, estado do Paraná, atuei na educação infantil, fui alfabetizadora na escola do campo e também secretária municipal de educação. Foram 35 anos de uma jornada construída com propósito, dedicação e afeto. E é nessa missão que sigo, mesmo após a chegada da aposentadoria. O Meliponário Doce Jardim surge como um novo espaço para que eu continue contribuindo e compartilhando saberes. Acredito que a educação, alicerçada na cooperação e na cidadania, não apenas muda caminhos, ela transforma destinos”.

A ideia do projeto começou com a chegada do Programa A União Faz a Vida (PUFV), que despertou um novo olhar para valores como cooperação, cidadania e, principalmente, para as relações que construímos com o mundo ao nosso redor. Nesse percurso, uma figura chamou atenção de forma especial: a abelha. Pequena, mas cheia de significado, ela despertou a curiosidade que levou à descoberta do universo das abelhas sem ferrão.

A partir desse encantamento, o quintal deixou de ser apenas um espaço de descanso e passou a ser visto como um verdadeiro território de possibilidades. Entre flores, pássaros e outros pequenos seres, surgiu a ideia de criar um meliponário, não apenas como criação, mas como um ambiente vivo de aprendizagem, onde a natureza convida à curiosidade, à investigação e à construção do conhecimento.

Contudo, o caminho foi marcado por desafios. A perda da primeira colmeia trouxe frustração, mas também aprendizado e fortalecimento do propósito. Com dedicação e persistência, o sonho foi sendo reconstruído e, pouco a pouco, o Meliponário Doce Jardim ganhou forma, sustentado pelo desejo de aproximar as pessoas da natureza e desmistificar a ideia de que toda abelha oferece perigo.

Mais do que um espaço com colmeias, o meliponário se consolidou como um ambiente educativo, onde são proporcionadas vivências guiadas que permitem observar, com segurança, as abelhas sem ferrão e compreender sua importância para o equilíbrio dos ecossistemas. Afinal, esses pequenos seres são essenciais para a polinização e para a manutenção da vida, sendo responsáveis por grande parte da reprodução das plantas com flores.

Em 2026, esse sonho começou a se concretizar de forma ainda mais significativa, com a realização das primeiras expedições investigativas. Em uma dessas vivências, a professora Cristiana Gomes de Oliveira dos Santos, acompanhada de seus alunos do infantil, juntamente com a assessora pedagógica e apoiadora do projeto Vânia Regina Barbosa Flauzino Machado, visitaram o meliponário para explorar, observar e aprender diretamente com a natureza. A experiência, conduzida pela própria idealizadora Rose Andrade, teve duração aproximada de uma hora e meia e foi marcada por curiosidade, encantamento e muitas descobertas. A execução do projeto ainda contou com a apoiadora Menah Melody Pinto de Oliveira Braz de Andrade, gerente da agência. 

Durante a expedição, cada detalhe se transformava em oportunidade de aprendizagem: o vai e vem das abelhas, as flores ao redor, os sons, os cheiros e as interações que aconteciam naquele espaço vivo. As crianças puderam observar de perto as abelhas sem ferrão, compreender sua importância e, principalmente, construir um novo olhar sobre a natureza.

Mais do que aprender conteúdos, elas vivenciaram uma experiência que desperta memórias afetivas, fortalece a consciência ambiental e incentiva o respeito à vida em todas as suas formas. Um aprendizado que vai além do momento e se estende para o cotidiano.

Assim como nas colmeias, onde cada abelha exerce seu papel em harmonia, o projeto também se constrói de forma colaborativa. Ele reúne pessoas, ideias e propósitos que, juntos, dão vida a algo maior.

Hoje, o Meliponário Doce Jardim representa mais do que a realização de um sonho. É um espaço de encontro, de aprendizagem e de conexão com a natureza. Um lugar onde a curiosidade é acolhida, onde o conhecimento é construído em conjunto e onde cada experiência contribui para formar um olhar mais sensível, consciente e respeitoso com o mundo.

Porque, no fim, aprender com as abelhas é também aprender sobre cooperação, equilíbrio e sobre o nosso papel na preservação da vida.

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