Vivemos relacionados, queiramos ou não, com a linearidade do tempo: passado, presente e futuro. No presente, estamos relacionados com o agora, com a consecução dos objetivos imediatos: suprir o sono, a fome, a sede, superar dores, ter prazer. No futuro, nossa relação é com os objetivos de curto, médio e longo prazo. Estes ditarão o nosso legado. Quanto ao passado, estamos relacionados à cultura que recebemos e à maneira como agimos, o que nos fez ser e ter o que somos e temos hoje, além de pensar como pensamos hoje.

Pois bem, só ao nos relacionarmos no presente é que temos a oportunidade de optar em continuar a viver ou sobreviver como hoje ou de optar por fazer diferente. A pergunta que fica é: como optar ou decidir bem? Para começar a responder pensemos em duas premissas: primeira, só quem conhece e compreende a realidade tem a oportunidade de fazer mudanças; segunda, ninguém muda nada se não sair da zona de conforto.

Para compreendermos o que estamos fazendo hoje é preciso refletir o passado no sentido de desconstruí-lo, isto é, empreender uma viagem de descobrimento no nosso passado, fazer uma desmontagem para compreender os mecanismos culturais, muitas vezes ocultos, que permearam nossa formação. Isso abrirá a consciência de como chegamos até aqui e nos dará indicativos do porque pensamos e fazemos, hoje, as coisas desse modo e não de outro.

Mais adiante, se analisarmos as consequências que poderão advir desse nosso modo de vida, será possível visualizarmos o nosso legado, isto é, o que seremos, teremos e deixaremos para o futuro. Essa visualização, por sua vez, poderá orientar-nos sobre as mudanças que se fazem necessárias no nosso pensar e agir hoje, ou seja, poderá respaldar e fortalecer as decisões que devemos tomar no presente. Uma boa decisão permite que sejam atendidas tanto as necessidades imediatas, do presente, quanto àquelas que envolvem uma rede maior de pessoas, incluindo gerações futuras.

Vê-se, portanto, que é preciso pensar e viver, ou pensar para viver. Caso contrário, estaremos apenas lutando pela sobrevivência. E, o mundo da sobrevivência é um campo fértil para prosperar a miséria econômica e mental dos homens, pois, apenas reproduz um status quo, não se cria, nem transforma. O mundo da sobrevivência subjuga as pessoas e não as emancipa.

Ainda assim, temos a opção de não pensar em nada disso. Mas, aí perderemos todo o direito de reclamar de qualquer situação opressora, desfavorável ou difícil, e ainda correremos o risco de sermos cobrados, material e/ou espiritualmente, por eventuais prejuízos causados a nós mesmos e ao resto da humanidade.

Entre os papéis da escola, talvez o principal, e especialmente na educação básica, está o de oportunizar momentos práticos dessa reflexão para desenvolver, no aluno e no professor, a capacidade de pensar, aprender, criar, transformar e, acima de tudo, a capacidade de perceber-se a si mesmo e enxergar e incluir o outro, tornando-se um sujeito ético.

Para isso, é preciso que também a escola, de maneira coletiva, empreenda a desconstrução de seu passado, tome consciência de sua realidade, renove suas metodologias e transforme seus hábitos. Assim, ensinará seus alunos a viverem e não apenas a sobreviverem, além de contribuir para a pavimentação de um futuro digno e feliz para todos.

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