A maior preocupação relacionada com a quarentena, em um primeiro momento, sempre parece ser com as atividades que precisam ser repensadas ou deixadas de lado. Mas, na verdade, o assunto fundamental e que deve ser colocado em primeiro plano antes de considerar quaisquer outras coisas é: como estamos nos sentindo a respeito das mudanças e o quanto a crise está influenciando nossa saúde mental.

Esta reflexão é essencial para que possamos cuidar de nós mesmos antes de cuidar do que precisamos fazer. Pare e pense: quando você não está 100% consigo mesmo, com a forma como você está se sentindo no momento, você consegue dedicar 100% das suas habilidades e forças para executar atividades? Pois é. Pensar em demandas é muito importante, mas deitar a cabeça no travesseiro com a tranquilidade de que você está sendo bem cuidado por si mesmo, é a garantia de que você está fazendo o melhor que pode por si e pelas pessoas que contam com você. 

E pensando nisso, a gente resolveu dar um passo atrás em relação a todas as dicas de organização de rotina durante a quarentena, para falar sobre esse passo fundamental para o bem-estar pessoal e profissional de qualquer pessoa: sua saúde mental. Vamos lá?

Olhe com carinho para sua saúde mental

“Um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afecções e enfermidades.”

Esta é a definição para saúde, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS). Agora quando a gente foca ainda mais, para compreender o que corresponde ao conceito de saúde mental, precisamos considerar pontos-chave, como: 

  • Bem-estar pessoal
  • Autonomia intelectual para refletir e agir sobre si mesmo
  • Realização e clareza acerca das nossas potencialidades
  • Sensatez na hora de cobrar a nós mesmos
  • Habilidade de se perdoar 
  • Inteligência emocional para lidar com as felicidades e adversidades da vida

Nossa saúde mental está diretamente relacionada com as ações positivas que colocamos em prática para garantir nosso próprio bem-estar. Independentemente de situações em que outras pessoas estão envolvidas, como família, amigos e colegas, o primeiro passo para oferecermos o melhor de nós para eles é garantir que estamos, realmente, bem com nós mesmos. 

E para demonstrar isto a você de forma prática, vamos compartilhar algumas dicas valiosas que podem refletir, e muito, numa rotina mais leve e prazerosa na vida, tanto dos educadores e educadoras como de qualquer pessoa que está se adaptando ao novo cenário.

Procure compreender suas emoções

É claro que não é possível compreender como nos sentimos o tempo todo. Mas, principalmente em horas de turbulência, tire uns minutos para você. Procure ficar calmo e refletir sobre o que está acontecendo, quais são os fatores que levam você a se sentir daquela forma, para que então consiga visualizar formas de trabalhar com suas emoções para entender a melhor forma de acolhê-las.

Um exercício simples que pode facilitar esta ação nas horas difíceis é você incluir em sua rotina do dia a dia parar para pensar: como estou me sentindo? Quais foram os pontos positivos do meu dia? O que balançou o meu bem-estar? Como me articulei para resolver situações necessárias? O que me proporcionou boas sensações? Esta compreensão sobre o que nos traz paz e tranquilidade, assim como o que nos tira da zona de conforto, é um exercício excelente para abrir sua mente para compreender os motivos de crise. 

Ah, e lembre-se: você pode entender e lidar sozinho com suas emoções até certo ponto. Caso os sentimentos ruins não passem, ou apareçam de forma muito frequente, é fundamental procurar um auxílio profissional. Cuidar da sua mente jamais será motivo para se constranger, sempre para se orgulhar

Exercite sua resiliência emocional

A resiliência é a capacidade de lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas – como choque, estresse, ou até mesmo algum evento traumático. Este traço é muito importante para que possamos lidar com as crises do dia a dia, sem permitir que elas afetem nossas vidas mais do que deveriam. 

Pense de forma carinhosa sobre o que você está passando. Pode não ser a situação ideal ou a realidade que você desejava para o momento, mas procure encarar que além das limitações existem oportunidades. Aceite a ideia de que as coisas são passageiras e que nenhum mal dura para sempre. Ter esperança e confiar no seu potencial é um excelente caminho para fortalecer a resiliência em sua vida. 

Às vezes dizer NÃO é fundamental

Quando paramos para pensar na expressão “não”, precisamos compreender que há diferença entre a negação, que faz parte da essência do termo, com a negatividade, que é um sentimento inconscientemente associado à palavra. Enquanto sociedade, ainda é muito comum o apego à ideia de que falar não é uma forma de causar desconfortos ou indisposições e, por esta razão, muitas vezes nos sentimos coagidos a aceitar atividades extras ou situações que nos tiram da zona de conforto. 

Mas olha, só: precisamos normalizar a ideia de falar não. Se algo ou alguém provocar desestabilidade no seu bem-estar emocional, saiba que você pode sim, inclusive é fundamental para sua saúde mental, falar não. Está tudo bem. Você não será uma pessoa horrível por isso, pelo contrário: você fortalecerá seu compromisso de cuidar de si mesmo. E isto é incrível! 

Olhe para o lado bom da vida

Parece clichê? Pode até ser. Mas este exercício é mais desafiador do que imaginamos. É muito mais fácil a gente parar para pensar e lamentar as situações que nos causam descontentamentos do que parar para agradecer àquelas que fazem uma diferença positiva em nossas vidas. 

Contemplar e bem receber o que nos acontece de bom é fundamental para manter a saúde mental bem estabilizada. Por isso, procure celebrar e agradecer as coisas que trazem alegria a sua vida. Uma sugestão é criar uma lista de motivos para sorrir hoje, na qual você deve anotar as pequenas coisas que tornaram sua rotina mais gostosa. 

O lado bom da vida existe para todos nós. Mas ainda precisamos treinar o olhar para percebê-lo com mais frequência. 

O que tudo isso tem a ver com a educação?

A resposta é: absolutamente TUDO

Ser alguém que trabalha na linha de frente para a construção de conhecimento e educação das crianças, torna os adultos – educadores, familiares, responsáveis, amigos – pessoas que devem cuidar de si mesmos para que, então, possam dedicar a atenção, cuidado e energia necessária para garantir o bem-estar das crianças. 

Muito se fala em produzir, entregar e acertar. Mas para que nossos momentos reflitam em qualidade e assertividade em nossas ações, precisamos olhar também para as lacunas entre cada etapa. Precisamos prestar atenção nas fragilidades. Pois é aceitando e trabalhando com elas que nos tornaremos mais fortes tanto para fazer o necessário e o que nos tornará felizes.

O nosso objetivo com este texto de hoje é esse: estar aqui transformando com você a forma de olhar, aceitar e cultivar nossa saúde mental.

Previous article Alfabetização e quarentena: como repensar estratégias para preservar a educação das nossas crianças?
Next article 6 canais no YouTube para educadores aproveitarem o tempo livre de maneira leve e divertida

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close