O tema da prova de redação do Enem de 2017 ganhou as manchetes devido a dificuldade do assunto, que nada mais era do que “Os desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”.

Colocar o tema da inclusão de surdos ou pessoas com deficiência auditiva na pauta da educação foi um grande passo a caminho de uma transformação social.

A Lei nº 10.436, sancionada em 24 de abril de 2002, diz que a criança surda tem o direito de ser matriculada numa turma de escola comum junto com crianças de sua idade, com garantia de meios e recursos que supram os seus impedimentos à aprendizagem e ao seu desenvolvimento afetivo e cognitivo.

O que significa que qualquer escola deveria estar preparada para receber alunos com dificuldades auditivas, o que vai muito além de apenas permitir a matrícula. Estar preparada significa possuir um ambiente que pode atender a todas as necessidades da criança e permitir que ela se desenvolva como todas as outras.

Segundo a lei, é dever de toda escola:

  • Prestar assessoria em relação à língua de sinais, se a criança tiver linguagem oral restrita e às estratégias adequadas para propiciar o diálogo, na linguagem oral e/ou escrita
  • Material concreto e visual que sirva de apoio para garantir a assimilação de conceitos novos
  • Orientar os professores em relação à adaptação do aluno em sala de aula

O conteúdo curricular a ser desenvolvido para o aluno surdo é exatamente o mesmo trabalhado com os alunos ouvintes. A diferença estará na forma em que ele será trabalho, uma vez que alunos surdos ou com audição limitada terão que ter mais estímulos visuais para acompanhar a aula.

Infelizmente, devido à falta de recursos enfrentada pelas escolas, muitas não conseguem adaptar o ambiente da maneira como deveriam, ficando, por exemplo, sem conseguir ter um intérprete de libras.

Nós separamos 4 dicas que podem facilitar a inclusão de um aluno com dificuldade auditiva em sala de aula:

  1. Fala sempre diretamente com o aluno

    A primeira dica é sempre falar olhando para o aluno, mesmo que tenha um intérprete em sala de aula, o foco deve sempre ser o aluno. Dessa forma, é mais fácil para ele compreender o que você está dizendo.

    Outra dica também é mantê-lo sentado na frente da sala, assim, você evita distrações visuais e permite que ele veja melhor o seu rosto, e, consequentemente, leia seus lábios.

    Evite falar de costas para ele, a leitura labial e de expressão é muito importante para que o aluno compreenda o que está sendo dito. Também é bom tentar falar mais devagar e de forma clara, para não confundir o aluno. 
  2. Coloque as carteiras em círculo durante aulas com debates

    Em aulas mais dinâmicas, que dependem da participação da turma, é essencial que as carteiras sejam viradas em círculo. Assim, a criança ou adolescente poderá acompanhar o que os colegas estão dizendo pela leitura labial. Se o aluno escolher não se manifestar, o melhor é não insistir. Às vezes, não é por não querer participar e sim, por estar tendo dificuldades em acompanhar o que está sendo dito.  
  3. Escreva tudo!

    Uma dica importante para facilitar a inclusão do aluno na sala de aula é escrever todas as instruções de tarefas de casa e trabalhos.

    Dê para o seu aluno um documento com o resumo do que será dado na aula naquele dia e, se possível, dê uma cópia dos tópicos que serão discutidos e de todas as perguntas que serão feitas.

    Utilize recursos visuais sempre que puder, isso inclui usar posters, cartazes, imagens, gráficos e etc. Dessa forma, a compreensão do conteúdo será mais fácil. 
  4. Vídeos e filmes

    Vídeos e filmes são outros excelentes recursos visuais para explicar o conteúdo para alunos com dificuldade auditiva. É claro que os vídeos devem estar sempre com legendas. Se não for possível legendar os vídeos, dê uma cópia do áudio transcrito do vídeo ou permita que o aluno trabalhem em dupla com alguém que possa dividir as anotações com ele.

Dependendo do currículo da escola, alguns outros ambientes também precisarão ser modificados para a inclusão do aluno. Por exemplo, se a escola oferece aulas de música, é importante que ela seja dada em um ambiente onde o aluno possa sentir a vibração do chão, assim ele poderá acompanhar o rítmo da música.  

É importante que a escola oriente a família do aluno a também buscar auxílio de um profissional de fonoaudiologia, que poderá trabalhar o desenvolvimento da fala junto do aluno.

Uma ótima notícia é que o Inead (Instituto Nacional de Ensino a Distância) está oferecendo um curso gratuito e online de Libras. Você pode ter acesso ao curso clicando aqui.

A inclusão real dos alunos surdos ou com deficiência auditiva só vai acontecer quando escola e comunidade se unirem para lutar pelos direitos desses alunos e garantir um ambiente propício para seu desenvolvimento e aprendizado.