Há alguns profissionais que neste momento estão com receio de falar sobre a volta às aulas. Mas além de debater questões de saúde e higiene, precisamos refletir sobre um futuro ensino híbrido e para qual escola de fato nós voltaremos pós-pandemia. Pense com a gente: crianças estão há 7 meses estudando por meio de uma tela, com apoio dos responsáveis, ficando em casa, tendo maior tempo com a família e usando mais recursos lúdicos no aprendizado. É possível voltar para uma sala de aula que se ensine somente pelo quadro e que volte a ser totalmente presencial? 

Estamos em um momento incerto, mas é possível perceber que educadores estão sendo obrigados a buscar novas formas e estratégias para que o ensino possa ser ativo mesmo de casa. Uma modalidade que já vem sendo trabalhada em alguns países e que pode ser uma aposta futura é o ensino híbrido. Neste artigo iremos conversar um pouco mais sobre ele, confira! 

Entendendo o ensino híbrido 

O ensino híbrido une o presencial e remoto. A diferença proposta é que com esse modelo seja trabalhado mais o aluno, focando em seus acertos e nas melhorias individuais que precisam ser feitas, o que no sistema tradicional não é tão comum, visto que a forma de passar conteúdo é a mesma para todas as crianças. 

Estudantes têm diferentes necessidades, enquanto uns possuem mais facilidade em certa matéria outros encontram mais dificuldade. Promovendo um ensino híbrido que oferece diferentes recursos e busca trabalhar a centralidade do aluno, podemos caminhar para uma maior equidade, para que todos avancem de série com o mesmo conhecimento. Ele trabalha: 

  • A mesclagem de conteúdos físicos e digitais 
  • Maior autonomia do aluno 
  • Professores podem atender alunos de acordo com suas necessidades
  • Há uma aprendizagem conjunta 
  • Personalização do estudo 
  • Mudança em rotinas 

Essa mesclagem da sala de aula na escola e em casa surgiu pelo termo blended learning nos Estados Unidos. Apesar de muitas pessoas acharem que é um ensino novo, ele já está presente desde 1960. O problema é que antes as tecnologias não eram tão acessíveis. No Brasil o ensino híbrido acabou ficando mais conhecido com faculdades em formato EAD ou semi-presenciais. 

Ensino presencial e remoto: quais os benefícios dos dois juntos? 

O ensino híbrido aproxima a tecnologia da sala de aula, podendo gerar mais criatividade na hora de abordar matérias e mais interesse por parte dos alunos. Neste período de pandemia, quantas vezes você mostrou um vídeo, foto ou jogo para ensinar uma criança? Agora imagina isso dentro das salas de aulas. 

Maior autonomia do aluno 

A autonomia é um dos objetivos do próprio ensino híbrido, mas entendemos que quando os alunos precisam estudar sozinhos acabam trilhando caminhos para chegarem em uma forma de aprendizado que faça sentido para eles. Isso não quer dizer que não terão o apoio dos professores, mas serão colocados a realizar mais pesquisas e leituras de forma individual, o que influencia também na responsabilidade que criam com o tempo. 

Tecnologia como aliada do aprendizado 

A tecnologia pode ser usada de diversas formas no ensino híbrido, com recursos dentro de sala ou para as aulas remotas. Ela permite que consigamos driblar a dificuldade que muitos educadores têm de chamar a atenção do aluno. Se no sistema tradicional muitas vezes ficam entediados com uma explicação somente na lousa, aqui podemos usar recursos lúdicos e contar com a participação deles. 

Estimule-os a pesquisar, fazer seus próprios caminhos de estudo e juntos criem um aprendizado compartilhado. A criatividade faz a diferença neste momento! 

Veja também: Leitura e escrita nos meio digitais.

Tempo personalizado e análise de forma individual 

Como o ensino híbrido busca trabalhar o protagonismo de cada aluno, é possível que educadores usem um tempo para cada um e as tecnologias para auxiliar na análise do aprendizado do aluno. Sem contar que um recado ou feedback que precisaria ficar para um outro dia pode ser enviado na hora. 

Aproximação da realidade de cada aluno 

Se no tempo de pandemia estar em casa e ao lado dos responsáveis é algo que está sendo aprovado pelas crianças, há um certo receio na hora de voltar às escolas. Mas com o ensino híbrido, possibilitamos que alunos continuem próximos das pessoas que gostam, pois neste modelo eles possuem mais flexibilização quanto aos horários e até mesmo espaço para estudarem. Quando em casa podem assistir aulas e fazer tarefas no mesmo ambiente que seus responsáveis, criando uma rotina em conjunto e que aproxima as duas partes. 

O que precisamos melhorar para aplicar o híbrido 

O ensino híbrido aos poucos está sendo introduzido também no aprendizado das crianças, mas a educação no Brasil ainda é muito ligada ao modelo tradicional. A pesquisa “O que pensam os professores brasileiros sobre a tecnologia digital na sala de aula” do Todos Pela Educação mostrou que 55% dos educadores diz já usar ferramentas digitais regularmente, mas 42% ainda busca amigos ou outras formas para tirar dúvidas. Essa situação algumas vezes causa receio para o próprio educador que não sente segurança na hora de trabalhar novos recursos.

Por isso, se queremos uma metodologia que de fato trabalhe o protagonismo dos alunos, precisamos antes desenvolver o conhecimento do professor para que depois eles possam despertar isso nos educandos. Para implantar de fato o ensino híbrido, precisamos da: 

Capacitação dos educadores 

Eles são peças fundamentais no aprendizado, realizar a mudança só será possível se todas as partes estiverem ambientadas com as novas funções. Pode ser que no começo algumas coisas se desalinhem, mas caso sua instituição realize a capacitação, oficinas e ofereça materiais de apoio com certeza estará tornando mais fácil esse momento e gerando maior preparação em cada um dos docentes. 

Capacitação dos alunos 

Assim como os educadores, as crianças também estarão sendo inseridas em uma nova realidade. Antes de começar de fato a aplicar o conteúdo de forma híbrida, é importante que a escola, em conjunto com os pais, faça uma ambientação, mostrando o que devem fazer, como podem explorar ferramentas e sempre estar ao lado. 

Disponibilidade de recursos 

Se estamos falando em um ensino que possui o uso ativo da tecnologia, precisamos oferecer ferramentas que possibilitem explorar todo o mundo digital. Sabemos que nem todos possuem a mesma condição, então na hora de pensar em aplicar o ensino híbrido, os recursos também devem ser pensados.

Revisão de planos de aula 

Aplicar o ensino híbrido não quer dizer que iremos deixar de ensinar com recursos físicos ou somente digitais, precisamos desenvolver planos de aula que mesclem novas ferramentas de forma relevante. Reestruturando o modelo pedagógico conseguimos aprender de forma integrada, usando plataformas online para acessar conteúdos, projetos que incluam recursos digitais, ebooks, gamificação, sala de aula invertida e outras formas. 

Lembre-se que antes de se tornar efetivo precisamos realizar testes com os alunos para ver como o ensino será recebido, só assim conseguimos ver o que está dando certo e ainda precisa ser melhorado. 

Modalidades do ensino híbrido 

Os modelos de ensino híbridos são amplos e dividem-se em sustentados, que continuam com algumas características do ensino tradicional e os disruptivos, que vão contra essas características. 

SUSTENTADOS 

Rotação por estações 

Neste modelo, espaços escolares são divididos em estações para que cada lugar tenha um objetivo na aprendizagem do aluno. Apesar de serem separadas, todas as estações se complementam, mas isso não quer dizer que sem passar por um local o aluno não irá entender o resto do assunto. O papel do educador é mediar cada uma delas para que o revezamento das crianças ocorra de forma correta e todos tenham um aprendizado efetivo. Os recursos tecnológicos em cada um desses pontos, como pequenas aulas em formato de vídeos, também podem ser explorados. 

Laboratório rotacional 

Se nas estações os alunos podem ser divididos em vários grupos, aqui separamos em 2. O primeiro fica com o conteúdo de forma online, podendo ser feito na informática ou até mesmo de casa, e o segundo trabalha na sala de aula ao lado do professor. O importante é que as aulas também se complementam e que mesmo os alunos que irão trabalhar com mais autonomia e os que estarão ao lado do educador consigam realizar as atividades. 

Sala de aula invertida 

Aqui há uma inversão no processo de estudo, os alunos recebem o conteúdo antes pelos professores que pode ser em formato de vídeo, leituras ou apresentações e quando vão para a sala de aula discutem o tema e aprendem de forma prática. Uma ótima opção pensando no curto tempo das aulas. 

DISRUPTIVOS 

Virtual aprimorado 

Neste formato, o presencial é usado mais como forma de acompanhamento. O aluno aprende a matéria com aulas online e vai em apenas alguns dias da semana para a escola, usando o momento para revisarem o que foi aprendido de forma remota e tirar dúvidas. 

Flex 

É intercalado com atividades individuais e coletivas. Durante certo tempo os alunos devem realizar um estudo ou exercício de acordo com o plano de aula do dia passado pelo professor e depois em grupo podem partir para outros projetos junto com amigos. 

Rotação individual 

Diferente das outras rotações nos modelos sustentáveis, essa trabalha de forma individual. Aulas e exercícios são pensados de forma única para cada aluno, então o professor precisa entender o nível de aprendizado de cada um para solicitar uma trilha de aprendizagem que faça sentido para aquela criança. 

Por um ensino que incentive a autonomia do aluno 

Com esse período, percebemos que escolas estão sendo, de uma forma ou outra, obrigadas a arcar com um início de modelos híbridos no ensino. Educadores estão entendendo que desenvolver a autonomia dos alunos é a melhor forma de traçarem seus caminhos de forma assertiva. O uso do ensino remoto em conjunto com o ensino tradicional está sendo praticado por algumas instituições, mas será essa a escola para a qual iremos voltar pós-pandemia? 

A mesclagem das duas formas de ensino permitem que o aluno seja protagonista das suas próprias histórias. Inovar também pode ser uma forma de despertar o interesse por aprender das crianças! 

Analfabetismo funcional
Previous article Analfabetismo funcional: como driblar essa dificuldade no processo de aprendizagem infantil 
Next article Comunicação não-violenta: por que (e como) aplicar a CNV nas escolas?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close