Disciplina levada a sério e respeito às tradições. Essas são duas características marcantes de todo o setor da educação no Japão, desde as primeiras séries até os cursos superiores. Somado a isso, a qualidade, a tecnologia e a inovação escolar também contribuem para que o país seja uma das referências mundiais de ensino.

O tempo de estudo obrigatório no Japão é de nove anos: seis anos no Ensino Fundamental (shougakkou) e três na Escola Secundária (chuugakkou). O Ensino Médio (koukou) não é obrigatório, mas a maioria dos alunos acaba fechando esse ciclo.

O período exigido, que contempla alunos de seis a 15 anos, é gratuito e tem o currículo estrategicamente definido pelo Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia. O material pedagógico e os planos de aula são sempre revisitados e passam por atualizações constantes.

O foco da educação japonesa é fazer com que os estudantes possam compreender o mundo e aprender como resolver os problemas ao invés de decorar e solucionar fórmulas prontas. Para os educadores, desenvolver o pensamento crítico nas crianças e jovens é muito mais importante.

Educação começa cedo

Ainda que não faça parte dos anos obrigatórios, a maioria das crianças do país frequenta o jardim de infância, chamado Yochien. No Japão, acredita-se que, quanto mais cedo elas entrarem na escola, melhor será o desempenho ao longo da vida escolar, acadêmica e profissional.

Desde muito pequena, a criança é ensinada a manter uma rotina e uma disciplina muito rigorosa em casa e, principalmente, na escola: respeitar os professores e os colegas, ser pontual, não faltar às aulas, apresentar bom desempenho nas tarefas, cuidar dos seus materiais e até mesmo, ser responsável pela limpeza do ambiente escolar – até porque, lá não existem funcionários para isso. São os próprios alunos, divididos em equipes, que se revezam para limpar salas de aulas, áreas comuns e até mesmo banheiros. Além de estimulá-los a não sujarem a escola, os japoneses acreditam que esse hábito ajuda a desenvolver o espírito de equipe, a empatia e a autonomia.

Respeito às tradições

No Japão, a cultura, os costumes e as tradições fazem parte do dia a dia das famílias. Na escola, isso não é diferente. Para os japoneses, enaltecer e respeitar esses valores é essencial para o desenvolvimento das crianças, tanto que desde os primeiros anos escolares elas aprendem caligrafia e poesia japonesa.

Por meio dessas práticas, as crianças têm acesso a histórias de sua origem, dos seus antepassados e de toda a cultura do país. Entendendo de onde vem as tradições e os costumes, maior é o respeito e a prática no cotidiano.

Incentivo à educação

Além dos aprendizados adquiridos com os conteúdos, estabelecer uma rotina de estudos também faz parte da educação no Japão. Como isso logo se torna um hábito, uma das características mais evidentes dos alunos japoneses é o gosto pela leitura e pelo saber.

Para se ter uma ideia, aproximadamente 99% das crianças e adolescentes do país frequentam a escola. Além do estímulo de pais e familiares, as instituições de ensino estão presentes em praticamente todos os bairros das cidades japonesas, facilitando o acesso e evitando até mesmo que eles se atrasem para as aulas.

Com escolas mais próximas de suas casas, muitos alunos percorrem os caminhos a pé e sozinhos. Pensando nisso, o Japão projetou uma mochila especial e padrão para as crianças. Chamada de Randoseru, ela foi criada para evitar problemas na coluna e para durarem por boa parte da trajetória estudantil. Geralmente, seguem um padrão de cores: vermelha para meninas e preta para meninos, mas algumas escolas permitem a escolha de outras tonalidades.

A família também é muito presente na vida escolar dos japoneses. Existe até mesmo um dia específico no calendário em que pais e responsáveis podem visitar a escola, participando das tarefas, conversando com os professores e realizando atividades em grupos.

E para que a relação entre a escola e a família seja ainda mais próxima, no início do ano letivo é comum que professores visitem a casa dos alunos para conhecer a sua realidade, os costumes e, assim, estreitar os laços com os familiares e, inclusive, com os alunos.

Hora do lanche

Os momentos reservados para as refeições ocorrem dentro da sala de aula, onde os alunos recebem uma refeição elaborada pela escola, mas servida por eles mesmos, em uma organização similar ao revezamento das equipes de limpeza.

Preparadas por nutricionistas, as refeições são bastante nutritivas e os estudantes são incentivados a experimentar todos os alimentos e a não desperdiçar . Antes de comer, é usual que façam um agradecimento pela comida, chamado de itadakimasu, que significa “eu humildemente aceito esse alimento”.

Aulas extras

Parecido com o modelo dos Estados Unidos, o Japão também costuma incentivar os alunos a praticarem alguma atividade extracurricular na escola. Tais práticas são chamadas de Bukatsu e, como todo o processo da educação, são baseadas na disciplina e coletividade, e desenvolvem o espírito de equipe e a autodisciplina.

O aluno deve escolher ao menos uma modalidade, entre as várias disponíveis. Chamados de clubes, os grupos de atividades são liderados por alunos e costumam ser bem diversos: esportes, dança, idiomas, música, artes cênicas, artes marciais, artes plásticas e muito mais. Essa programação, geralmente, é cumprida depois do turno escolar e em alguns finais de semana, podendo ser praticada dentro da escola ou em instituições e espaços parceiros.

Quer saber mais sobre a educação no Japão? Confira o vídeo abaixo , produzido pelo Jornal da Record, e que é parte de uma série sobre a infância ao redor do mundo. Você pode mostrá-lo para seus alunos em aula e, juntos, podem conversar sobre as diferenças e semelhanças entre a educação do Japão e do Brasil.

Por meio da disciplina e respeito ao próximo, o Japão acredita que pode transformar o mundo. E você, o que acha desse método de ensino aplicado nas escolas japonesas? Como isso se aplicaria nas salas de aula do Brasil?

 

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