Paulo Freire: educador e filósofo brasileiro, considerado um dos pensadores mais notáveis
na história da pedagogia mundial. Foto: Escola de Gestão Socioeducativa Paulo Freire – RJ

Paulo Freire é o brasileiro que mais recebeu títulos honoris causa pelo mundo e as homenagens não param por aí. Estima-se que mais de 350 escolas no Brasil e em diversos outros países, levam o seu nome. Além disso, um dos seus livros mais conhecidos, “Pedagogia do Oprimido”, é a terceira obra mais citada em trabalhos humanitários em todo o mundo. Segundo um estudo do especialista em desenvolvimento e aprendizagem, Eliiot Green, realizado em 2016, o trabalho já havia sido citado mais de setenta mil vezes.

Publicado em 1996, o livro Pedagogia da Autonomia foi o último livro escrito pelo educador Paulo Freire, falecido em 1997. Nesta obra, Freire conversa com os leitores sobre como os professores devem ensinar e estimular os alunos a “serem mais”. 

Mas o que significa “ser mais”?

Marcos Aurélio Trindade, filósofo, defende que a expressão “ser mais” nada mais é que “a vontade dotada de potência que os educandos e os educadores devem procurar em atitudes, para fazer emergir uma Educação digna, amorosa e consciente (…) As práticas que o ‘ser mais’ evoca tanto no professor, quanto no educando, são um processo de reeducação constante. Esse processo se dá na luta pelo desvelar amoroso na prática educativa, conscientizando jovens e tendo o professor consciente de sua função; esses jovens alcançam a consciência do benefício educacional. A visão dessa ação é despertar a ambos para a essência coletiva da Educação e, juntos, buscarem soluções para excluir a deterioração vigente realizada na escola e sua formação”.

O artigo “O conceito de ‘ser mais’ em Paulo Freire e a relação professor-aluno” pode ser lido na íntegra AQUI

O método de Paulo Freire

Apesar da grande aceitação, os ensinamentos de Paulo Freire não são unanimidade em toda a comunidade escolar. Muitos educadores defendem Paulo Freire, mas outros ainda discordam com seu método de ensino. Hoje, mais de vinte anos após a sua morte, suas ideias ainda são espaço para debate. 

Em toda a sua trajetória Paulo Freire defendeu a igualdade entre classes e o ensino como ferramenta potencializadora para despertar o pensamento crítico e a autonomia nos alunos. Além disso, sustentava  a ideia de que educação era sinônimo de liberdade em seu livro “Educação como prática da liberdade”.

Para Paulo Freire, mais importante que saber ler e escrever, é aprender a perceber o mundo. Seu método de ensino era realizado a partir da cultura e cotidiano dos  alunos, trazendo exemplos práticos e de acordo com o que os cercava, para que eles se sentissem pertencentes ao aprendizado. Esse método também era pautado na consciência política e de classe, um dos grandes pontos que incomodou setores mais conservadores.

Pedagogia da Autonomia – o livro

No livro “Pedagogia da Autonomia”, além de apresentar aos professores como ensinar alunos a “serem mais”, Paulo Freire dialoga sobre a ética crítica, a competência científica e a amorosidade autêntica, pautando a conversa sempre com bases políticas marcantes. Para ele, a boa relação entre educador e educando é fundamental no processo de aprendizagem

O livro é dividido em três partes: Prática docente: primeira reflexão; Ensinar não é transmitir conhecimento; e Ensinar é uma especificidade humana. Saiba mais sobre cada uma delas:

Prática docente: primeira reflexão

Dividida em nove capítulos, a primeira parte do livro vai nos contar, a partir do olhar progressista, quais são os pontos importantes para a formação de um bom educador. Aqui o foco é o ensino da escrita além das palavras. Ensinar os conteúdos básicos da educação escolar, mas também o pensamento crítico em sala de aula. Ouvir e discorrer em cima da opinião de cada um dos alunos e enxergá-lo não só como um número, mas como um indivíduo pensante. Para que isso seja possível, Freire também cita a importância da pesquisa na vida do docente, para que, ao ensinar, ele eduque também a si mesmo. 

Outro ponto bem importante nessa parte do livro é sobre a relação que o educando deve ter ao educar por meio do bom exemplo e do não preconceito ao novo. Para ele, os alunos não podem desenvolver respeito e admiração a docentes que teorizam um comportamento X e na prática fazem o contrário. 

Ensinar não é transferir conhecimento

Já na segunda parte do livro, Freire indica que o papel do educando não é transferir conhecimento aos alunos, mas sim, aprender junto com eles, apresentando modelos práticos do dia a dia e colocando os alunos como protagonistas das próprias histórias. 

Para ele, seres humanos não são seres completos, mas sim, inacabados, estando sempre propensos a serem preenchidos com conteúdos e novos aprendizados, desde que estejam e se sintam inseridos no contexto, incluindo os professores. Por isso, respeitar a autonomia tanto do educando quanto do educador é essencial dentro e fora de sala de aula. 

Quando não há o respeito, acontecem os processos de distanciamento e transgressão nessa relação, dificultando o aprendizado. A hierarquia e o autoritarismo do professor em sala de aula acabam com a liberdade dos alunos, fazendo com que eles se sintam podados e possam se distanciar da curiosidade e da vontade de aprender. Neste capítulo, Freire cita novamente a importância de desenvolver e cultivar uma boa relação entre professores e alunos, com respeito e tolerância às diferenças, respeito mútuo e amorosidade.  

Ensinar é uma especificidade humana

Na última parte do livro vamos entender as exigências do processo de educação. Para que o ciclo do ensino aprendizagem possa ser completo, é necessário que o educador leve a sério o ofício, não se mantenha estagnado no seu próprio processo de obter conhecimento e possa sentir-se seguro para desempenhar o seu papel. 

Dentro do segundo capítulo da terceira parte, o autor reafirma a importância do educador exigir respeito, mas não ser autoritário com seus educandos. Para ele, a liberdade estimula a construção da relação e o próprio aprendizado. 

Outro ponto citado nesta parte é a importância do professor se posicionar politicamente perante os alunos. Para Freire, a educação é política, não neutra. O que deve acontecer nos debates e conversas na sala de aula não é a imparcialidade ou neutralidade, mas sim o respeito, tanto dos educandos quanto do próprio educador. 

Para Paulo Freire, esse posicionamento político, mesmo que discordante, cria maior afeição e aproximação com os alunos. Quanto mais harmonia o professor tem com os educandos, deixando que o diálogo esteja sempre aberto para acontecer, mais aproximação, respeito e autoridade ele terá. 

No último capítulo, “Ensinar exige querer bem aos educandos”, o autor  discorre sobre a importância da afetividade. Define que é  preciso educar com amorosidade, sempre lutando politicamente pelo respeito, pelos direitos e pela educação. 

Educando com respeito

Em toda a sua bibliografia, bem como em sua própria vida, Paulo Freire defendeu as boas relações entre docentes e alunos. Para ele, não importa as diferenças no pensamento, na cultura ou no modo de ver o mundo, mas sim o respeito à individualidade e a luta por uma educação mais acessível e afetuosa a todos e todas. 

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