Na década de 70, a Finlândia deu início a uma revolução no seu sistema de ensino. Mesmo com apenas 6% do PIB do país direcionado para a educação, o país conseguiu conquistar o seu lugar como um dos líderes mundiais no assunto, servindo de exemplo para escolas do mundo inteiro.  

É claro que a Finlândia ser um país consideravelmente menor que o Brasil faz diferença na hora de alocar recursos e implementar metodologias, mas ainda assim existem valiosas lições que podemos aprender com o sistema finlandês de ensino.

ESTRUTURA DO ENSINO

Segundo pesquisas realizadas pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), as escolas finlandesas apresentam os índices de desempenho mais altos do mundo. Seus alunos (que são os que mais leem no mundo inteiro) ocuparam o segundo lugar em ciências naturais e o quinto em matemática. E o mais interessante? Os alunos finlandeses são os que passam menos tempo estudando por dia.

As aulas na Finlândia começam perto das 8h30 da manhã e acabam por volta das 15h ou 16h. Cada aula tem 45 minutos de duração seguidos por 15 minutos de intervalo. Os finlandeses consideram esse tempo importante para que o aluno possa relaxar e se preparar para a próxima aula. O ensino básico na Finlândia é dividido da seguinte forma:

  • Primário, da 1ª à 6ª série
  • Secundário, da 7ª à 9ª série
  • Uma 10ª série complementar para que os alunos possam melhorar suas qualificações

Após a 10ª série, eles podem optar entre ir para escolas técnicas ou continuar seus estudos no liceu— um tipo de escola preparatória.

No livro, Finnish lessons: what can the world learn from educational change in Finland? (Lições finlandesas: o que o mundo pode aprender com a mudança educacional na Finlândia?), Pasi Sahlberg, diretor de um centro de estudos vinculado ao Ministério da Educação do país, diz que o compromisso da sociedade finlandesa pela igualdade de acesso a uma educação de qualidade foi decisivo.

Os pontos fortes do sistema finlandês são educação primária de alta qualidade e a formação de professores em universidades de ponta, o que torna a profissão uma das mais populares entre os jovens finlandeses.

A importância do professor é tanta que a eles é dado total controle sobre a metodologia e a forma que o assunto será passado para os estudantes.

AS BASES DO ENSINO

O sistema básico e obrigatório de educação só começa com a criança aos sete anos, para os finlandeses até essa idade as crianças têm que ser crianças e não devem ter nenhum tipo de pressão para aprender a escrever ou ler. O currículo é bastante completo e com ênfase nas artes e na música. Para o governo, o importante é formar cidadãos criativos, comunicativos e preparados para a vida, por esta razão, no currículo escolar existem aulas de cozinha, trabalhos manuais, além de aulas dedicadas para coisas de ordem prática como, por exemplo, calcular impostos.

O sistema de ensino é fortemente baseado no desenvolvimento de projetos. São as metodologias chamadas de “problem-based learning” ou “project-based learning” (ensino baseado em problemas ou projetos). Nessa metodologia, os alunos são incentivados a identificarem problemas reais na sociedade e a buscar soluções. O professor funciona mais como um tipo de mediador nessa relação. Com essa técnica, os alunos não aprendem só o conteúdo, mas a gerir um projeto. O sistema empírico é levado para todas as matérias. Por exemplo, nas aulas de física, é pedido para os alunos gravarem experimentos e enviarem por e-mail.

O ensino também é um pouco mais personalizado. Para cada aluno se estipula um plano individual de estudo e desenvolvimento. Na mesma aula os alunos realizam exercícios de diferentes níveis de dificuldade e a nota final varia de acordo com as diferentes capacidades de cada um. Se hoje, por exemplo, um aluno consegue fazer os exercícios básicos satisfatoriamente, amanhã lhe será dado um exercício mais complexo.

Avaliações também não são comuns nas escolas finlandesas. Pelo menos, não no sentido tradicional. As provas formais são dispensadas, os professores avaliam projetos e desempenho. Os alunos também são incentivados a se auto avaliarem e a avaliarem uns aos outros. Para os professores é proibido fazer comparações entre alunos. Os finlandeses fazem questão de diversidade nas salas de aula, com exceção de alunos com deficiência visual ou auditiva, para quem classes especiais podem ser formadas. Entretanto, não são economizados esforços para integrar à sociedade aquelas pessoas que necessitam de atenção especial, prova disso é que a diferença de desempenho entre os alunos finlandeses é a menor do mundo.

Quem pensa que todas essas mudanças no ensino só são possíveis por causa da tecnologia, está muito enganado. A tecnologia não é vista como uma peça central do ensino e sim como mais uma ferramenta. Existem professores que incentivam o uso de celulares e tablets em aula para a realização de pesquisas, já outros preferem deixar a tecnologia de fora e engajar os alunos de outras formas, como jogos ou brincadeiras.

Um outro ponto alto é o design das salas de aula. Ao invés da tradicional disposição, as salas de aula possuem mesas grandes para trabalhos em grupos, sofás, poltronas e até mesmo almofadas no chão. Tudo isso para a criatividade fluir e os alunos se sentirem em um ambiente descontraído.

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Algumas salas têm mobília especialmente projetada para que os alunos possam ser agrupados ou separados.
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Salas especialmente projetadas e tecnologia amparam o trabalho do professor.

Por fim, o ensino finlandês acredita que as crianças devem ser vistas como indivíduos que têm diferentes necessidades e interesses na escola. Ensinar deve ser uma profissão inspiradora com um grande propósito de fazer a diferença na vida dos jovens, razão pela qual essa profissão é tão respeitada no país.

E você? O que achou no sistema finlandês? Que tal tentar adotar algumas técnicas para a sua sala de aula?