Você sabia que no dia 30 de junho é comemorado o Dia Nacional do Bumba Meu Boi? A lenda, também chamada de Boi-bumbá, é uma festa tradicional brasileira bastante celebrada nas Regiões Norte e Nordeste. Essa festividade é tão importante e significativa para o País que, em 2012, foi reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como Patrimônio Cultural do Brasil.

Foto: Agência Senado

Como surgiu?

O Bumba Meu Boi teria surgido no século XVIII, no Nordeste do nosso país. Nesse período, acontecia o chamado Ciclo do Gado, quando o rebanho bovino era protagonista da economia local e a vida da maioria das pessoas girava em torno da pecuária.

Apesar de ser reconhecida como uma manifestação típica do folclore brasileiro, segundo historiadores, tudo começou lá na Europa e chegou em nosso país com os portugueses. Ao misturar histórias europeias com a cultura dos povos africanos e dos indígenas, a cultura do Bumba Meu Boi começou a ser criada e celebrada em terras brasileiras.

Versão europeia

O conto “O vaqueiro que não mentia” é uma história que se passa na Península Ibérica e fala sobre um rico fazendeiro que tinha um boi muito querido por ele, chamado Barroso. O responsável por cuidar do animal era um vaqueiro conhecido por nunca mentir. Instigado pelo comportamento do moço, um fazendeiro vizinho aposta com o dono de Barroso que o vaqueiro que não mentia, um dia, ia trair sua confiança.

Para ganhar tal aposta, ele pediu que sua filha seduzisse o vaqueiro e pedisse que ele matasse o boi de seu patrão como uma prova de amor. Apaixonado pela moça, o empregado então mata o Barroso sem pensar nas consequências. Quando o dono do boi descobre, e pergunta ao vaqueiro se ele sabia o que tinha acontecido com o seu animal de estimação, ele confessa o crime cantando uma cantiga em que pede perdão ao patrão.

Por ter falado a verdade, uma atitude considerada nobre pelo dono da fazenda, o vaqueiro é perdoado, ganha o valor da aposta e todos passam dois dias em festa.

Versão Brasileira

No Brasil, a lenda e as celebrações do Boi-bumbá podem variar um pouco de acordo com a região, mas o enredo principal é sempre o mesmo: a morte e a ressurreição de um boi.

A tradição conta a história do casal de escravos Francisco e Catirina. Ela, grávida, manifesta o desejo de comer a língua de um boi, então, para agradar sua esposa, o marido dela escolhe o mais bonito e charmoso da região. O que ele não sabia, é que esse boi era o preferido do fazendeiro.

Quando descobre o que aconteceu, o homem prende Francisco e pede que outros escravos encontrem o boi. Com a ajuda de um pajé, o animal é ressuscitado, e todos celebram o “milagre”, fazendo a festa do Bumba Meu Boi.

A festa e as brincadeiras de rua de Bumba Meu Boi são montadas com muitos cânticos, coreografias e encenações, e têm sempre garantida a presença de um grande boi, feito com armações de madeira, ou arame, revestidas com tecidos bordados e coloridos. Para dar vida ao personagem, um ou dois homens ficam embaixo da fantasia, dando movimento à figura e dançando em meio à multidão, provocando e brincando com as pessoas, como se o boi fosse dar chifradas nelas. Os homens que controlam o boi são conhecidos como “miolos do boi”.

Você sabia?

Por ser considerada uma celebração de origem escrava, a dança foi proibida durante algum tempo pelas elites nordestinas e até mesmo pela polícia.

Bumba Meu Boi na escola

Para comemorar o Dia do Bumba Meu Boi, que tal deixar a criatividade e o clima de festa invadirem as aulas?

Vocês podem começar as atividades assistindo a uma apresentação sobre a história:

Depois de conhecer a lenda e o valor histórico do Bumba Meu Boi, seria legal você promover uma festa na qual os alunos possam colocar a mão na massa e preparar uma bela comemoração, mesmo no formato virtual. A graça já começa nos preparativos. Cada aluno pode ser responsável por uma parte da decoração, ou pelas comidas típicas, bebidas e músicas temáticas para animar a festa ou, ainda, fazer uma decoração, mesmo que simples, em casa, por conta do período de distanciamento social.

Vale decorar a sala, ensaiar cantos, danças e brincadeiras, lembrando, é claro, da grande atração: o Bumba Meu Boi, que pode ser feito de papelão e materiais fáceis de encontrar.

Lembrando

Apesar de o Dia Nacional do Bumba Meu Boi ser comemorado em 30 de junho, a festa se estende por um período maior. No Maranhão, o Sábado de Aleluia marca o início da temporada com a realização dos ensaios. No dia 23 de junho, os bois são batizados e começam as apresentações, que seguem até o fim do mês. Depois, de julho a dezembro, são realizados os rituais de morte dos bois. Na capital do estado, o período de apresentações tem início no dia 29 de junho e ocorre durante o mês de julho, com festas de quinta a domingo.

Como fazer um Bumba Meu Boi com sua turma

Para brincar com o papel de “miolo do boi”, você pode preparar junto com a turma um Bumba Meu Boi e revezar as funções, além de construir mais de um boi para que a diversão seja em dobro. Ou, também, incentivar que as crianças façam em casa seu próprio personagem com a ajuda dos familiares.

Você vai precisar de:

  • Caixas de papelão (grandes e pequenas)
  • Cola quente
  • Cola branca
  • Papéis coloridos
  • Tintas coloridas
  • Papel crepom
  • Tesoura
  • Pincéis

Como fazer:

  • Escolha uma caixa de papelão grande, corte o fundo em forma de círculo, com espaço para uma pessoa passar por ele.
  • Decore a caixa pintando-a de preto ou revestindo-a com papel, como preferir.
  • Faça uma borda de papel crepom para servir de saia para o boi.
  • Use tiras coloridas de papel crepom para fazer o rabo do boi. Quanto mais colorido, melhor.
  • Para montar a cabeça, escolha uma caixa de papelão menor, corte e cole a parte das narinas do boi.
  • Recorte pedaços de papelão em formato de chifre e cole na cabeça.
  • Recorte e cole os olhos com papel colorido, ou utilize materiais reciclados.
  • Faça quatro furos no corpo do boi para prender uma fita em cada lado, para ser a alça que suporta o boi no “miolo do boi”.

Como brincar:

A regra principal da festa é comemorar, brincar e se divertir. Após contar e discutir a lenda com as crianças, que tal propor uma encenação da história e tudo acabar em festa e dança?

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