A educação é essencial e direito de todo ser humano. Mas será que a formação que os modelos tradicionais de ensino oferecem são suficientes para o desenvolvimento pleno das crianças? As metodologias ou pedagogias ativas são formas de ensino que colocam o aluno como parte principal da aprendizagem. O próprio educando se torna responsável pelo seu conhecimento de forma participativa e autônoma.

Nos modelos ativos é deixada de lado a passividade do aluno, que por mais de 30 anos foi presente nas bases curriculares brasileiras. Ou seja, o aprendizado não é somente a partir da escuta de um educador na sala de aula, neste modelo  alunas e alunos são protagonistas da sua educação. No artigo de hoje vamos conferir pensadores responsáveis por métodos ativos, olha só: 

Abordagem afetiva de Emmi Pikler 

Como você se relaciona e cria um vínculo afetivo com os seus alunos? A metodologia desenvolvida pela pediatra Emmi Pikler, conhecida como Pikler-Lóczy, é baseada no cuidado e afetividade dedicada às crianças em ambientes coletivos. Como surgiu após a segunda guerra, em que muitos bebês de 0 a 3 anos foram acolhidos no Instituto Pikler, Emmi desenvolveu uma forma de cuidado que até hoje é aplicada. 

Na abordagem Pikler, é preciso compreender que crianças possuem um tempo único do movimento e cada conquista vai de acordo com o seu desenvolvimento. Além disso, desde pequenas precisam de referências e nos momentos em que estão diante de adultos é como se criassem um ambiente de segurança. 

“É essencial que a criança descubra por ela mesma. Se lhe ajudamos a solucionar todas as suas tarefas, lhe tiramos o mais importante para o seu desenvolvimento mental. A criança que consegue algo por meio de experimentos autônomos adquire conhecimentos completamente distintos dos de uma criança a qual é oferecida previamente a solução”
(Emmi Pikler) 

Se crianças aprendem mais significativamente quando a busca pelo conhecimento parte delas próprias, é papel do educador incentivar a curiosidade e problematização. A figura do professor na vida de um aluno é de verdade exemplo, e a escola preparar o ambiente e mostrar afetividade em cada ato é uma forma de estímulo.

Hora da Prática: garantir um ambiente afetivo e que passe segurança ao seu aluno pode vir por meio dos pequenos gestos. Lembre-se que quando mostramos o afeto estamos automaticamente acolhendo aquela pessoa e indiretamente dando um “passe livre” para que ela faça suas vontades. 

  1. Converse sempre com seus alunos
  2. Mostre seu carinho e afeto
  3. Não apresse o conhecimento ou comportamentos 
  4. Seja compreensivo

A importância da liberdade do pensar de John Dewey 

John Dewey foi um pedagogo, psicólogo e filósofo que teve grande influência nas metodologias ativas. Em sua pedagogia, o aluno deve aprender de forma cooperativa e tomar iniciativas para o seu próprio aprendizado. O método foi idealizado com o objetivo de mudar o cenário das escolas que atuavam a partir da submissão do aluno. 

Esse método acredita na autogestão, democracia e liberdade para que crianças possam aprender a partir dos seus próprios pensamentos. 

“Educação não é uma questão de falar e ouvir, mas um processo ativo e construtivo”
(John Dewey)

Quantas vezes em sala de aula você incentiva o pensamento dos seus alunos? O ensino de  Dewey acredita na valorização do pensar das crianças, é preciso que as ideias sejam usadas para vivências reais, o que aproxima a teoria da prática. 

Aliado a isso o conceito Learn by Doing, ou seja, “aprender fazendo”, mostra o quanto é preciso que crianças tenham experiências para o aprendizado. Se quando são colocadas a experimentar o novo conseguem explorar ao máximo a capacidade de pensar, é nosso papel promover atividades que tirem educandos da caixa, promovendo ambientes cooperativos e de liberdade para elaboração dos seus próprios saberes

Hora da prática: colocar essas metodologias em prática pode ser bem simples. Se desejamos que crianças aprendam por seus próprios pensamentos e pela prática, é preciso instigar essa curiosidade.

  1. Faça muitas perguntas
  2. Deixe um espaço para que pesquisem e busquem seus conhecimentos 
  3. Promova debates a fim de que ampliem seus saberes 

A Escola Nova de Anísio Teixeira

Anísio Teixeira teve a metodologia de John Dewey como uma das suas grandes inspirações. Seus objetivos foram com base na democratização da educação e um ensino ativo. Com esses princípios foi que fundou a primeira escola pública no Brasil. 

Mas para que crianças fossem permitidas a reconstruir seus conhecimentos a cada momento, e passassem a ser educadas e não instruídas, era necessário uma escola nova. 

“Educar é crescer. E crescer é viver. Educação é, assim, vida no sentido mais autêntico da palavra”
(Anísio Teixeira)

Em uma escola nova deve ser exercitada a confiança tanto dos educadores quanto dos educandos. Que o interesse do aluno conduza seus aprendizados e esse não seja limitado  a base curricular. É preciso que os educandos aprendam a viver e não sejam apenas preparados para a vida. 

Hora da prática:  trazer novos valores aos alunos pode ser a partir do que Anísio Teixeira procurava, com uma escola democrática. Para isso: 

  1. Crie ambientes diversificados 
  2. Mostre a importância da diferença 
  3. Faça debates que tirem seus alunos da realidade que vivem 
  4. Explore novas possibilidades 

A aplicação da metodologia de Paulo Freire na infância 

A Metodologia Freiriana é aplicada para a alfabetização e letramento de adultos. Mas com o tempo também foi adaptada para o ensino infantil. Esse método é desenvolvido em 3 fases e tem como base primeiramente a leitura do mundo afora que cerca o aluno, para depois o reconhecimento das próprias letras e números. 

“A educação, qualquer que seja ela, é sempre uma teoria do conhecimento posta em prática”
(Paulo Freire)

As 3 fases da metodologia freiriana são divididas em: 

  1. Investigação temática: na fase inicial o propósito é reconhecer o contexto social em que determinado aluno está inserido. Qual a sua realidade? Que palavras o cercam diariamente? A partir da vivência dessa criança cria-se um vocabulário com palavras que são comuns para ela e novas associadas ao tema. 
  2. Tematização: o objetivo é descobrir o significado das palavras e em conjunto procurar novos temas que estão associadas ao seu significado. 
  3. Problematização: é hora de colocar a mão na massa e descobrir soluções para os temas levantados. 

Hora da prática: você pode aplicar essa metodologia a partir do compartilhamento do cotidiano dos seus alunos. Promova atividades em que cada um precise conhecer a realidade do outro e depois estimule que falem sobre suas rotinas, envolvam a família e criem histórias coletivas sobre isso. 

“O professor desafia seus alunos com problematizações e não entrega conceitos prontos e acabados. A pergunta deve encaminhar para a liberdade, para a curiosidade e na busca de soluções para os problemas. Neste aspecto, o professor passa a ser um mediador do processo de ensino e aprendizagem”
(Paulo Freire) 

O ensino a partir da elaboração de projetos de Fernando Hernández

Essa metodologia parte sempre de uma problematização. Depois do problema levantado, alunos desenvolvem um longo projeto com o objetivo de solucionar essa dúvida. O papel do educador aqui é ser um orientador no desenvolvimento dos trabalhos, pois para o aluno é essencial que trabalhe sua autonomia, curiosidade e proatividade

Fernando Hernández é um dos educadores que aposta na educação por meio de projetos. Para ele, nesse método, professores deixam de apenas transmitir conhecimento e passam a ser pesquisadores ao lado dos seus alunos. 

“Todas as coisas podem ser ensinadas por meio de projetos, basta que se tenha uma dúvida inicial e que se comece a pesquisar e buscar evidências sobre o assunto”
 (Fernando Hernández)

Hora da prática: quando for aplicar a metodologia em sala de aula lembre dos seguintes passos:

  1. Instigue as perguntas para que as crianças criem problemas 
  2. Depois das perguntas faça com que pensem em hipóteses 
  3. Como irá ser solucionado o problema? 
  4. Crie um plano para resolução
  5. Coloque em prática 

O ensino integral de Jaqueline Moll 

Jaqueline Moll é uma das pensadoras no Brasil sobre a educação integral. Foi responsável também pelo “Programa Mais Educação”, que incluiu mais horas nas escolas para atividades complementares. 

A metodologia integral prevê que, além dos conhecimentos das áreas de humanas, biológicas e exatas, alunos precisam desenvolver saberes sobre cidadania, cultura, meio ambiente e outros assuntos que formam um ser humano.

A educação integral se apresenta como uma abordagem essencial para aumentar o convívio e as relações dos educandos. Passar mais tempo nas escolas com um conhecimento integrativo e múltiplo é a possibilidade de crianças aprenderem a conviver. 

“A educação integral é uma nova forma de viver”
(Jaqueline Moll)

Hora da prática: a educação integral busca que educadores saibam administrar um tempo entre os vários tipos de conhecimento. Mas também sabemos que nem todas instituições têm essa abertura, por isso na sala de aula podemos inovar nos conteúdos e trabalhar aquilo que está previsto em união com novas formas de aprendizado. 

Por que não trabalhar matemática com a musicalidade? Quando proporcionamos essa integração, estamos caminhando para a formação de alunos que tenham um conhecimento completo e que saibam reconhecer o aprendizado em seus atos diários. Outras dicas:

  1. Busque integrar matérias 
  2. Lembre que a cultura, cidadania, meio ambientes também são importantes para a formação do ser humano 
  3. Utilize ferramentas que tirem as aulas do convencional 

A sala de aula invertida de Jon Bergmann

A metodologia da sala de aula invertida busca quebrar aulas excessivamente teóricas e proporcionar um conhecimento mais produtivo e participativo. A ideia é que crianças estudem em casa e na classe discutam os temas abordados, ou então, tenham aulas na escola e em casa realizem as tarefas. 

O educador Jonathan Bergmann é um dos defensores dessa metodologia. O educador deixa de ser apenas um transmissor de conteúdo e o aluno passa a ter um aprendizado mais ativo. Então, as duas partes passam a reorganizar o tempo e a maneira com que aprendem, o ensino passa a ser construtivo e mais atrativo. 

“O maior problema da educação é a tradição”
(Jon Bergmann)

No ensino híbrido, a sala de aula invertida passa a ser uma realidade no contexto de pandemia e uma aposta para quando as escolas voltarem ao normal. Se crianças já nascem inseridas no mundo tecnológico, nas escolas não devemos proibir esses recursos, mas usá-los como novas formas de ampliar o conhecimento. 

Hora da prática: 

  1. Utilize recursos tecnológicos nas salas de aula 
  2. Videoaulas são uma opção para tarefas de casa
  3. Procure realizar debates em sala de aula 
  4. Envie pequenos estudos a serem feitos em casa

Leve o conhecimento ativo à sala de aula 

Sabemos que mudar nossas formas de ensino não acontece de uma hora para outra. Procure inserir as metodologias ativas no cotidiano dos seus alunos aos poucos. Essas novas formas de aprendizagem garantem ao aluno habilidades que vão ser aplicadas por toda a sua vida: 

  • Valorizar e entender o processo de aprendizagem 
  • Ganhar mais autonomia e confiança 
  • Tornar-se construtores dos próprios saberes 

Dar vida às salas de aula é mais fácil quando educadores e educandos constroem juntos o conhecimento. Faça parte de uma educação transformadora!

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  1. Parabéns a toda a equipe educativa que elaborou este importante e esclarecedor material didático/pedagógico:”Quais as competências do professor no século XXI?”, focado na Educação 4.0 e embasado em conhecimentos de educadores renomados como Anisio Teixeira, Ken Robison e outros.

    Wilson

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